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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

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O Deus das Moscas

Sara, 06.08.09

“Um grupo de rapazes abandonados numa ilha deserta desfruta da liberdade total festejando a ausência de adultos. Porém, à medida que o frágil sentido de ordem dos jovens começa a colapsar, também os seus medos começam a tomar sinistras e primitivas formas. De repente, o mundo dos jogos, dos trabalhos de casa e dos livros de aventuras perde-se no tempo. Agora, os rapazes confrontam-se com uma realidade muito mais urgente – a sobrevivência – e com o aparecimento de um ser terrível que lhes assombra os sonhos.”

 
A história começa com duas das crianças, sobreviventes de uma queda de avião numa ilha isolada e deserta do Pacífico, Ralph e Piggy e a exploração que juntos fazem da ilha e do mar que a envolve. Após terem encontrado uma quantidade relativa de crianças também sobreviventes da queda do avião, percebem que é necessário que haja um chefe eleito por todos, regras a cumprir e um conjunto de coisas a fazer com diferentes prioridades. É preciso que todos lutem juntos pela sobrevivência.
No entanto, esta tentativa de organização cedo falha, uns querem apenas brincadeira enquanto os mais sensatos dedicam-se à construção de abrigos para a chuva e à existência permanente de uma fogueira que poderá servir de sinal a um barco que se aproxime da ilha e, desta forma, ao seu salvamento.
Mais tarde, surge o medo com o desaparecimento de uma das crianças e com os pesadelos que os mais novos começam a ter, onde aparece um monstro. E esse monstro confirma-se ao ser avistado por várias crianças na ilha, até pelas mais velhas. Se o caos até este momento não estava já lançado, o medo será a perdição de todos.
 
Esta obra retrata como várias características do comportamento humano podem levar à destruição, das mais evidentes nesta história temos a inveja, a ambição e também o individualismo que num cenário onde é necessário que todos pensem e tomem decisões juntos, torna-se bastante perigoso. Também testemunhamos, a partir de certa altura, o isolamento forçado de Piggy pelas outras crianças, por este ser baixo, bastante gordo, sofrer de asma, usar óculos espessos e, possivelmente, por ser o mais sensato e inteligente, o que o aproxima dos seres adultos que todos tinham, inicialmente, festejado por não se encontrarem entre eles.
Apesar de se tratar, inicialmente de uma simples aventura, a leitura torna-se, rapidamente, profunda ao assistirmos ao caos que acaba por dominar a ordem instaurada ao início e os horrores que daí advêm.
 
"O Deus das Moscas" foi o primeiro romance escrito por William Golding, Prémio Nobel, sendo considerado como uma das maiores obras do século XX.
 
 
Nota: “O Deus das Moscas” foi, ao que parece, uma resposta de William Golding ao livro “A Ilha de Coral” escrito por Ballantyne, onde três rapazes britânicos, Jack, Ralph e Peterkin encontram-se numa ilha e, ao contrário do que acontece em “O Deus das Moscas”, conseguem, de forma heróica, ultrapassar todos os problemas que vão surgindo. William Golding oferece-nos a versão alternativa, descrente da bondade entre os seres humanos.