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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

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Livros na Minha Cabeceira

Flores para Algernon

Sara, 11.04.23

Autor: Daniel Keyes

Editora: Relógio D'Água

Ano: 2022 

Título Original: Flowers for Algernon

Tradução: José Mário Silva

N.º Pág.: 256

                                     ISBN: 9789897833069

 

Outro livro que não teria pegado se não fossem os clubes de leitura. E que falha teria sido! 

Flores para Algernon insere-se no género Ficção Científica, género esse que me deixa sempre um pouco de pé atrás. Mesmo relativamente a filmes, gosto de temas muito específicos dentro da ficção científica, sou esquisita, pronto!

Neste livro, seguimos a história de um homem muito especial, Charlie, que nasceu com atraso mental e que, provavelmente, consequência disso, tem uma visão do mundo muito bonita, muito ingénua.

Ao longo do livro, acompanhamos a evolução que Charlie irá sofrer a partir do momento em que entra numa experiência científica, sendo sujeito a uma cirurgia. E aqui vou já explicar a razão pela qual não dei nota máxima ao livro e que começa a ser algo frequente nas minhas leituras mais recentes... a explicação da doença de Charlie tem alguns erros científicos básicos, que não têm justificação por ser um livro escrito em 1966 (li na versão original e, por isso, não sei se na tradução portuguesa houve algum cuidado nesse sentido, por exemplo, em Nota de Tradução).

Mas regressando à história de Charlie... o escritor focou-se em vários assuntos muito interessantes!

Como, inicialmente, os problemas cognitivos de Charlie influenciaram o contexto familiar e as relações sociais e, depois da cirurgia, como o desenvolvimento de Charlie, com aumento do seu Q.I. e capacidade de aprender, memorizar e relembrar, tarefas que não conseguia anteriormente, vão afectar as relações pré-existentes e a sua própria essência.

Uma das partes que me chocou bastante nesta história, e situação com a qual Charlie, ao recuperar as suas memórias terá de lidar foi a rejeição pela sua própria mãe ao aperceber-se que o seu filho não era "normal". Corre médicos - porque com certeza terá de haver uma cura para o problema do seu filho - torna-se obcecada com a situação e depois, quando tem uma filha considerada "normal", Charlie é posto de parte. A presença dele será vista pela mãe como uma ameaça à saúde e felicidade da filha.

 

É um livro tocante, que fala de questões morais, éticas, da importância da inteligência lógica mas também da inteligência emocional.

 

Pontuação: 9/10

Opinião: Diário de um Fescenino

Sara, 15.02.23

Autor: Rubem Fonseca

Editora: Campo das Letras

Ano de Edição: 2003 (1ª edição)

Nº Pág.: 210

ISBN: 978-972-610-712-1-5 

 

 

 

No domingo passado, no canal da Maria João Covas ocorreu um sprint de leitura de 8 horas e, pela primeira vez, também eu participei. Livro escolhido? O que vos trago hoje, sem ter lido sinopse, sem saber o que me esperava. O escritor é brasileiro, filho de portugueses de Trás-os-Montes, pelo que o livro incluía-se também no desafio de Fevereiro da Maria João Covas: ler um escritor brasileiro. No ano passado tinha lido "Estorvo" de Chico Buarque e, este ano, decidi conhecer outro autor.

Em "Diário de um Fescenino" encontramos o diário, que começa a 1 de Janeiro e termina a 31 de Dezembro, do protagonista e narrador Rufus, que vai contando e refletindo sobre as suas peripécias como um Casanova actual. Mas, apesar de libertino, à medida que o vamos conhecendo, fica a sensação de que ele não procura, conscientemente, envolver-se com várias mulheres em simultâneo, apenas não é capaz de amar uma só. 

E com isto, apenas um escritor muito bom, conseguiria que eu sentisse compaixão por um canalha. Sim, a escrita que vos espera é sem pudores, com conteúdo sexual. Mas não esperem um livro apenas sobre as conquistas do protagonista, pelo meio há uma parte mais voltada para o género policial onde, mais uma vez, torci por ele... E ele próprio terá de colocar-se no papel de investigador. Este é um género que parece estar sempre presente nas obras de Rubem Fonseca, trazendo para a escrita as suas vivências como antigo comissário no Rio de Janeiro.

E, cereja no topo do bolo, o protagonista é também escritor. Então vamos acompanhando também o seu processo de escrita, aprendendo mais sobre a influência que uma leitura tem sobre o seu leitor, com imensas referências interessantes, que queremos anotar.

Apesar do conteúdo sexual, que não gosto tanto, achei a história muito engraçada, fez-me rir, refletir, e não há momentos mortos, está sempre a acontecer qualquer coisa surreal. Fiquei com vontade de conhecer mais livros do escritor. Rubem Fonseca foi distinguido com o Prémio Camões em 2003, pelas suas obras.

 

Pontuação: 7/10