A História do Senhor Sommer
Autor: Patrick Süskind
Editora: Sextante Editora
Ano de Edição: 2007
Título Original: Die Geschichte von Herrn Sommer
Tradução: Maria Castro Dias
ISBN: 978-989-8093-31-8
N.º Pág.: 102
“No tempo em que eu ainda trepava às árvores, vivia na nossa aldeia, a uns dois quilómetros da nossa casa, um homem a quem chamavam senhor Sommer. Ninguém sabia qual era o seu nome de baptismo e também ninguém sabia se ele tinha ou não uma profissão.
Mas embora pouco se soubesse sobre o senhor Sommer, toda a gente o conhecia, pois andava permanentemente de um lado para o outro. Podia nevar ou cair granizo, podia estar um temporal ou chove a cântaros, podia o sol queimar ou aproximar-se um furacão, como uma alma penada, atravessando a paisagem e os sonhos do narrador..”
Já há uns tempos tinha lido o “Perfume”, uma das minhas obras preferidas e quando vi outro romance deste autor nas prateleiras da biblioteca de praia nem pensei duas vezes!
Esta é a história do morador mais conhecido do Lugar de Baixo, o senhor Sommer, descrita por alguém que recorda os seus tempos de juventude de há muitos anos atrás. O sr. Sommer é um homem que, em todo o seu tempo de vida passado no Lugar de Baixo, caminha de um lado para o outro, incessantemente sem nunca parar. E por esta razão faz parte da vida de todos os moradores, surgindo sempre no pano de fundo. Ele está presente quando o narrador vai para a escola, quando regressa a casa, quando se apaixona pela Carolina, quando vai até às aulas de piano e quando planeia a morte numa copa de árvore depois de uma conturbada aula em que se recusa a tocar um fá sustenido após a professora ter espirrado e projectado o seu ranho para essa tecla preta do piano.
Os vizinhos do sr. Sommer defendem várias teorias para as caminhadas deste e, mais tarde, teorias que explicam o seu desaparecimento mas apenas o narrador conhece o seu paradeiro e só agora o revela, ao leitor.
Relativamente à escrita não é tão descritiva como acontece em “O Perfume” dando uma sensação de simplicidade que leva o leitor a recordar os seus tempos de infância. Em apenas cem páginas, há momentos comoventes, de acção e hilariantes, estando alguns deles representados na ilustração de Sempé.