Opinião: Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão
Autor: Maurice Leblanc
Editora: Cultura
Ano: 2021 (1ª ed.)
N.º Pág.: 183
ISBN: 978-989-9039-35-3
Sinopse:
Ousado, sedutor e divertido, Arsène Lupin é o criminoso ladrão mais famoso do início do século XX. Responsável por uma série de crimes misteriosos em França, o anti-herói mantém um código de honra muito próprio: atormenta os seus oponentes, ridiculariza a burguesia e ajuda os mais fracos. Um Robin Hood muito francês, portanto. Não se leva muito a sério, a sua arma mais mortífera é a perspicácia e não é um aristocrata que se aclama como anarquista, mas sim um anarquista que vive como aristocrata.
Opinião:
Este livro consiste numa série de contos, onde Lupin é o protagonista. É um ladrão inteligente, com classe e honra mas também com sentido de humor. Apesar de descobrirmos em cada conto como Lupin consegue ludibriar a sua vítima, não acho que esta seja a parte mais interessante da leitura, nem a principal razão pela qual se deve pegar neste livro. Aquilo que marca os contos, é mesmo o código de honra deste ladrão. Desta forma, está sempre presente a dicotomia ladrão/gentleman, o que torna Lupin num protagonista muito curioso e com um humor acutilante.
Um exemplo disto encontra-se no conto "Arsène Lupin na Prisão", no qual Arsène escreve uma carta, a partir da prisão, a um barão que pretende roubar. Descreve-lhe os artigos que o barão tem em casa e quais deverá enviar-lhe (com portes pagos, claro). Refere ainda que, caso não os envie, será o próprio Lupin a deslocar-se a sua casa, indicando em que noite fará o roubo e que, assim, não se contentará apenas com os objetos que referiu. No final da carta, pede desculpa pelo incómodo que poderá estar a causar e ainda em P.S. tem ainda o cuidado de informar que um dos quadros que o barão tem em sua posse é uma cópia e que também duvida da autenticidade de outro objeto.
E é este o sentido de humor que vamos descobrindo à medida que conhecemos mais um caso de Arsène Lupin.
Quanto à escrita, apesar de ser já um clássico da literatura francesa, é muito simples e fácil de ler, pelo que se terminam estas quase 200 páginas num instante!
Por fim, falando em adaptações...
Umas vezes são os livros que nos conduzem à adaptação cinematográfica, outras vezes o oposto. E, se antes, regra geral, encontrava nos livros uma versão que me prendia mais, através de detalhes que um filme não consegue transmitir, esta foi mais uma vez que encontrei uma série que a meu ver conseguiu ultrapassar o livro. Apesar de não se tratar de uma adaptação, a série é inspirada nos seus contos.
Na Netflix, podem encontrar a série Lupin.
Pontuação: 7/10