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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Súplicas Atendidas

Sara, 03.11.11

 

Autor: Truman Capote

Editora: Edições Asa

Ano de Edição: 1993

Título Original: Answered Prayers

ISBN: 972-41-1290-x

N.º Pág.: 217

 

 

O protagonista do romance é um bissexual, filho de pais incógnitos, que fugiu de um orfanato aos treze anos para levar uma vida de expedientes e de permanente itinerância. Com estas características, seria aparentemente fácil achá-lo monstruoso. Na verdade, não é isso o que sucede, porque o seu humor e o seu encanto são tais que o leitor cedo se rende ao fascínio que dele emana. Nestas páginas repletas de personagens estranhas e maridos sádicos, mulheres inteligentes e belas, e abundantes em histórias escandalosas e em maledicência, encontram-se também alguns dos mais interessantes e poderosos retratos que a literatura nos legou.

 

A controvérsia deste livro começou bem antes da sua publicação. Truman, que se movimentava na alta sociedade nova-iorquina e era íntimo de algumas celebridades, semeou o terror ao desvendar dois dos capítulos deste livro na revista americana Esquire. Acontece que estes capítulos tratavam sobre a vida dessas mesmas celebridades e sobre os seus segredos mais íntimos e, perante a estupefacção dos retratados por Capote, este respondeu “De que é que eles estavam à espera? Sou escritor. Utilizo tudo. Será que essa gente julgava que eu estava lá só para os divertir?” Mas ele sabia o risco que corria pois afirmou que o romance iria ser publicado a título póstumo, explicando “either I'm going to kill it, or it's going to kill me”.

 

Posto estas curiosidades à parte, ou se gosta ou não deste livro, não há aqui lugar para meio-termo. E eu adorei. Já tinha lido “Breakfast at Tiffany’s”, o romance que me apresentou Truman Capote e a sua escrita. Agora com “Súplicas Atendidas” fiquei verdadeiramente fascinada com a forma como este escritor usa as palavras, constrói as frases e como consegue provocar sentimentos no leitor. Ao longo do livro, foram várias as vezes que ri, que fiquei chocada e que me fizeram reflectir. E, na minha opinião, um bom livro faz isto, provoca reacções no leitor, faz dele uma parte integrante do livro e não apenas um observador.

 

Podes ler aqui um excerto do livro.

 

Eis algumas reacções a este livro:

 

"Chocantemente repugnante e completamente difamatório.", Tennessee Williams

 

"Capote morde as mãos que o alimentam.", New York Magazine

 

"Aquele serzinho desprezível e sujo nunca mais vai colocar os pés nas minhas festas.", Nedda Logan (actriz)

O Senhor Valéry

Sara, 26.09.11

 

 

Autor: Gonçalo M. Tavares

Editora: Caminho

Ano de Edição: 2002

ISBN: 972-21-1470-0

N.º Pág.: 80

Ilustração: Rachel Caiano

 

 

 

 

“O Senhor Valéry é um conjunto de vinte e cinco micro-histórias protagonizadas por um senhor franzino e de pequena estatura que não gosta de ser posto em causa e é, no fundo, um solitário (…) Lemos este livro recordando Louis Carol e com a permanente impressão de estarmos a ser intercalados na nossa lógica de seres, por assim dizer, normais (…) (…) a obra de Gonçalo M. Tavares é um primoroso exercício à inteligência, de graça e de rigor de linguagem.”

 

 

Gonçalo M. Tavares criou o Bairro em 2002 e o seu primeiro morador, o Senhor Valéry, vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do Prémio Jornal Expresso. O bairro tem estado em constante crescimento tendo sido publicados, até hoje, dez livros - dez personagens - diferentes, sendo o último o Senhor Eliot (2010).

 

A personagem Senhor Valéry, criada por Gonçalo M. Tavares, é obsessiva. Em todos os contos conhecemos uma nova situação caricata derivada deste traço psicológico como a obsessão pela sua própria altura. Como o Senhor Valéry adora desenhar, todos os contos são acompanhados por uma ilustração criada pelo mesmo.

O senhor Valéry é, por consequência das suas obsessões, alguém solitário que se sente, muitas vezes, incompreendido quando partilha, com os vizinhos, as suas filosofias de vida.

 

A escrita é muito simples, como se o autor contasse um conjunto de histórias a crianças, onde a imaginação dá azo à nostalgia por parte do leitor. Proporciona uma leitura diferente e algumas gargalhadas, sendo um dos melhores livros desta colecção.

A colecção em si é um conceito muito original.

 

Conheçam mais sobre o Bairro aqui!

 

Vejam também parte desta história contada numa "mini metragem" aqui:

Dívida de Sangue

Sara, 22.09.11
 

 

 

Autor: Charlaine Harris

Editora: Saída de Emergência

Ano de Edição: 2009

Título Original: Living Dead in Dallas

Tradução: Renato Carreira

ISBN: 978-989-637-137-1

N.º Pág.: 253

 

 

 

 

“Sookie Stackhouse está numa maré de azar: primeiro o seu colega de trabalho é morto e ninguém se parece preocupar; depois, é atacada por uma criatura que a infecta com um veneno doloroso e mortal. Tudo se complica quando Bill nada consegue fazer e pede a ajuda de Eric para lhe salvar a vida. A questão é que agora ela está em dívida para com Eric – um vampiro deslumbrante mas tão belo quanto perigoso. E quando ele lhe pede um favor em troca, ela tem que aceder.

De repente, Sookie está em Dallas a usar os seus poderes telepáticos para encontrar um vampiro. A sua condição é que os humanos não devem ser magoados. Mas a promessa de os vampiros se manterem na ordem é mais fácil de dizer do que cumprir. Basta uma bela rapariga e um pequeno deslize para que tudo comece a correr mal…

Entretanto, também Eric tem os seus próprios segredos…”

 

Li o primeiro desta saga já há algum tempo mas não tinha intenção de continuar a segui-la. Teve alguns momentos que me despertaram interesse mas, no geral, não é o estilo literário que mais admiro – nada contra vampiros!. No final das férias requisitei a série – a primeira temporada –, não tinha visto nenhum episódio e quando vi o dvd fiquei curiosa. Acabei por ver todos os episódios em três dias seguidos, dos quais preferi o último – menos sexo (que série tão gráfica!), mais intriga e suspense…

 

Peguei, então, no segundo livro…

 

A trama inicia-se com a descoberta do corpo, recentemente assassinado, de Lafayette no carro de Andy, detective da polícia local. Sookie decide usar os seus poderes telepáticos para descobrir quem matou Lafayette e, assim, ilibar o detective Andy. No entanto, surgem várias situações críticas que ganham prioridade e que, consequentemente, adiam o seu plano.

Sookie é alvo da sede de vingança por diferentes tipos de seres, situação que permite ao leitor conhecer esta personagem mais a fundo, assim como os vampiros Bill e Eric.

 

Neste livro, a autora explora o conflito entre os humanos e os vampiros, sendo um dos cenários principais de acção uma igreja onde são realizados retiros para os humanos que odeiam vampiros. Quanto a relações, surge, também, a primeira zanga entre Sookie e Bill, originada pelos seus instintos de vampiro e uma ligação muito próxima entre Sookie e Eric, discretamente traçada por este, a qual gera ciúmes em Bill.

 

Neste livro, Charlaine Harris apresenta-nos novas criaturas: duendes e ménades.

 

A escrita neste livro é mais segura e a história bem mais interessante (mais conteúdo, menos sexo). Gostei, particularmente, das novas personagens Luna (metamorfa) e Callisto (ménade).

 

Callisto (Mary-Ann) quando aparece com um porco à frente do carro conduzido por Tara

A História do Senhor Sommer

Sara, 11.08.11

 

Autor: Patrick Süskind

Editora: Sextante Editora

Ano de Edição: 2007

Título Original: Die Geschichte von Herrn Sommer

Tradução: Maria Castro Dias

ISBN: 978-989-8093-31-8

N.º Pág.: 102

 

 

 

 

“No tempo em que eu ainda trepava às árvores, vivia na nossa aldeia, a uns dois quilómetros da nossa casa, um homem a quem chamavam senhor Sommer. Ninguém sabia qual era o seu nome de baptismo e também ninguém sabia se ele tinha ou não uma profissão.

Mas embora pouco se soubesse sobre o senhor Sommer, toda a gente o conhecia, pois andava permanentemente de um lado para o outro. Podia nevar ou cair granizo, podia estar um temporal ou chove a cântaros, podia o sol queimar ou aproximar-se um furacão, como uma alma penada, atravessando a paisagem e os sonhos do narrador..”

 

 

 

Já há uns tempos tinha lido o “Perfume”, uma das minhas obras preferidas e quando vi outro romance deste autor nas prateleiras da biblioteca de praia nem pensei duas vezes!

Esta é a história do morador mais conhecido do Lugar de Baixo, o senhor Sommer, descrita por alguém que recorda os seus tempos de juventude de há muitos anos atrás. O sr. Sommer é um homem que, em todo o seu tempo de vida passado no Lugar de Baixo, caminha de um lado para o outro, incessantemente sem nunca parar. E por esta razão faz parte da vida de todos os moradores, surgindo sempre no pano de fundo. Ele está presente quando o narrador vai para a escola, quando regressa a casa, quando se apaixona pela Carolina, quando vai até às aulas de piano e quando planeia a morte numa copa de árvore depois de uma conturbada aula em que se recusa a tocar um fá sustenido após a professora ter espirrado e projectado o seu ranho para essa tecla preta do piano.

Os vizinhos do sr. Sommer defendem várias teorias para as caminhadas deste e, mais tarde, teorias que explicam o seu desaparecimento mas apenas o narrador conhece o seu paradeiro e só agora o revela, ao leitor.

 

Relativamente à escrita não é tão descritiva como acontece em “O Perfume” dando uma sensação de simplicidade que leva o leitor a recordar os seus tempos de infância. Em apenas cem páginas, há momentos comoventes, de acção e hilariantes, estando alguns deles representados na ilustração de Sempé.

 

Um Grão de Dor Pintado de Sombra

Sara, 31.07.11

 

Autor: Nuno Novo

Editora: Papiro Editora

Ano de Edição: 2011

ISBN: 989636560-8

N.º Pág.: 69

 

 

 

“Na fome de encontrar algo por onde começar, decidi fazer arrumações no sótão das minhas emoções: retratos a preto e branco de quase sorrisos, de quase entrega, de quase tudo perdido em bocados de quase nada. Surpreendentemente, havia um pequeno ruído a calar o peso do luto. A primeira vez que o ouvi, fugi com medo. Porém, todas as vezes em que a noite adormecia eu voltava ao meu sótão, como quem espia na ânsia de descobrir um secreto e grandioso segredo.”

 

Este é o primeiro livro da autoria de Nuno Novo, um jovem de 22 anos que viu na prosa e poesia uma forma de expressar sentimentos como a insatisfação, o sofrimento e a solidão. Esta obra revela um estilo de escrita ainda por definir com uma alternância súbita entre uma escrita simples e uma escrita rebuscada. Denota-se também um certo esforço na tentativa de cativar o leitor e a inspiração de Paulo Coelho em pequenas anotações ao longo deste livro.

 

Pessoalmente prefiro a prosa, forma de expressão onde o autor consegue atingir uma maior profundidade. Neste seu estilo, agrada-me o jogo de palavras e a forma como descreve o seu estado de espírito.

 

Este livro é, no seu âmago, um desabafo de dor.

 

Anoitecer

Sara, 28.07.11

 

Autor: Karen Marie Moning

Editora: Contraponto

Ano de Edição: 2009

Título Original: Darkfever

Tradução: Elsa T. S. Vieira

ISBN: 978-989-666-012-3

N.º Pág.: 260

 

 

“O meu nome é MacKayla; Mac, para simplificar. Sou uma vidente de sidhe, uma das que vê os Fae, um facto que aceitei apenas há pouco tempo e com grande relutância. A minha filosofia é muito simples – fico feliz quando ninguém anda a tentar matar-me. Mas não tenho tido razões para estar feliz ultimamente, desde que as paredes entre o Homem e os Fae se desmoronaram. Na verdade, não existe um único vidente de sidhe vivo que esteja feliz desde então.

Antes de ser assassinada, a irmã de Mackayla deixou uma única pista sobre a sua morte – uma mensagem enigmática no telemóvel de Mac (…) Enquanto Mac mergulha cada vez mais fundo na tentativa de solucionar a misteriosa morte da irmã, todos os seus movimentos são seguidos pelo sombrio Jericho… e o implacável V’lane – um príncipe Fae (…) – aproxima-se dela. À medida que as fronteiras entre os dois mundos começam a desmoronar-se, a verdadeira missão de Mac torna-se clara: encontrar o poderoso Livro Negro Sinsar Dubh antes que mais alguém o reclame, pois quem conseguir obtê-lo primeiro terá o controlo completo sobre ambos os mundos…”

 

 

Esta foi uma das minhas aquisições na Feira do Livro deste ano – não queria comprar mais uma história de vampiros que tem invadido as estantes de literatura juvenil mas, ao ler a sinopse e o início do livro, achei que este seria diferente – o primeiro livro da série Fever, tendo como escritora uma vencedora do prémio RITA (Romance Writers of America).

 

Tudo começa numa tarde de Verão à beira da piscina quando Mac atende o telefone e descobre que a irmã fora assassinada. Com os pais fora, é obrigada a identificar o corpo de Alina que fora encontrado num beco perto do rio Liffey em Dublin, cheio de buracos e partes rasgadas. Após três semanas de investigação e a transferência do caso para a Divisão de Casos Não Resolvidos, Mac parte para a Irlanda com o intuito de pressionar as autoridades. No entanto, sem qualquer indício do assassinato da sua irmã, é obrigada a prosseguir as investigações por sua conta.

 

Este é um thriller emocionante com várias passagens de intensa carga erótica com-direito-a-bolinha-no-canto-superior-direito, mas sem cair num tipo de livro que faz disso a sua essência. A autora tem uma escrita simples e fluida, criou um enredo original - apesar de estarem presentes os vampiros – e uma relação complexa entre as personagens Mac e Jericho, que orienta o leitor num mundo que se vai relevando cada vez mais sombrio.

 

 

Uma boa opção para quem gosta de leituras fantásticas e do misticismo da Irlanda.

O Leitor

Sara, 04.05.11

 

Autor: Bernhard Schlink

Editora: Edições Asa

Ano de Edição: 1998

Título Original: Der Vorleser

Tradução: Fátima Freire de Andrade

ISBN: 978-972-41-2009-6

N.º Pág.: 144

 

 

“Em 1960, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Ele é apenas um adolescente. Ela é uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta e finalmente fazem amor. Mas este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece subitamente. Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.”

 

Esta história divide-se em três partes. Na primeira parte, Michael regressa ao passado e recorda-se como tudo começou. Pelo Outono, Michael sente-se mal e acaba por vomitar perto da casa de Hanna, mulher que o encontra e o acompanha até casa. Duas estações após o diagnóstico de icterícia, Michael leva-lhe um ramo de flores como forma de agradecimento e, nessa visita, acaba por observá-la, através de uma porta entreaberta, a mudar de roupa. Apanhado em flagrante Michael acaba por fugir dali. No entanto, uma semana mais tarde, a curiosidade e o desejo fazem-no regressar a casa de Hanna, originando o primeiro contacto mais íntimo. Seguem-se meses de uma complexa relação até ao dia em que Hanna desaparece sem deixar qualquer rasto.

A segunda parte acompanha o julgamento de Hanna, ex-guarda de campos de concentração nazis. Michael, estudante de Direito, segue todo o processo e, entre muitas reflexões, descobre o seu segredo. Chocado questiona-se repetidamente. Como não se apercebeu antes? Porque razão Hanna deixou tudo aquilo chegar tão longe? Assumir crimes que nem sequer tinha cometido para evitar revelar o seu segredo? E, agora, que faria ele? Manter-se-ia como espectador ou tornar-se-ia participante naquele processo? Afinal tinha em seu poder informações que poderiam alterar a decisão final…

Na terceira parte, após a sentença ter sido promulgada, Michael termina o curso e prossegue com a sua vida mas sem nunca esquecendo Hanna. Mais tarde, Michael volta a contactar Hanna com frequência, possibilitando Hanna libertar-se do seu segredo.

 

Esta foi uma das minhas leituras preferidas de 2010. Não acredito que a escrita de Bernhard Schlink deixe alguém indiferente. Estamos perante um daqueles livros que após o primeiro capítulo não conseguimos parar de ler. Li-o num ápice. Gostei imenso do alternar entre as memórias de Michael e as suas reflexões e adorei a descrição dos vários cenários e das várias personagens. Gostei também da referência a diversos livros que vai acompanhando todo o romance.

 

“Até onde iria para proteger um segredo?”

 

Be.

Guerra é Guerra

Sara, 18.02.11

Autor: (Major) Miguel Costa Barreto

Editora: A Esfera dos Livros

Ano de Edição: 2010

ISBN: 9-789896-262143

N.º Pág.: 261

 

 

 

Devo começar por dizer que, antes de ler este livro, não nutria grande apreço por forças de segurança. Até hoje só tenho razões de queixa e há muito que tinha passado a ignorar a existência desta “gente”. Para além disso, muito menos compreendia a presença de tropas portuguesas em qualquer local de conflito - não achava que lá fossem fazer grande coisa comparativamente a tropas de outros países…

 

 Mas “Guerra é Guerra” foi uma enorme surpresa!

 

O autor descreve diferentes situações, desde a preparação das tropas para a missão, acontecimentos inesperados que ocorreram desde o dia de partida para o Iraque - um atentado num quartel, em Nassíria, para onde o contigente da GNR portuguesa iria partir -, quando chegaram ao Kuwait – o avião que iria levá-los até Nassíria, transportava os mortos e feridos no atentado do dia anterior, foi substituído por simples autocarros – e o rapto dos jornalistas portugueses (Carlos Raleiras, enviado da TSF, tinha sido raptado e Maria João Ruela, da SIC, tinha sido baleada por uma kalashnikov).

 

Bastam dois dias, o da partida e da chegada para qualquer leitor perceber que todos os planos traçados em Portugal podiam, num segundo, desabar e que a capacidade de “desenrascanço” dos portugueses revela-se, aqui, numa enorme qualidade.

 

Em paralelo com a missão, o autor vai também partilhando momentos da sua vida. Para além de Major, Miguel Costa Barreto é filho, marido e pai. As saudades da família são uma constante assim como a preocupação com as notícias que chegariam a Portugal e que deixariam a sua família em desespero. Foram vários os momentos em que senti o medo de Miguel Barreto por poder não voltar a casa e conhecer o seu segundo filho.

 

A minha parte preferida do livro foi o capítulo dedicado à ajuda humanitária. O apoio à reconstrução de uma escola, a visita ao hospital pediátrico onde a entrega de medicamentos e soros contra venenos é um ocasional evento e o episódio no qual uma criança é salva por um kit de primeiros-socorros são momentos tocantes deste livro. A escrita do Major Miguel Costa Barreto não se cinge a uma descrição objectiva, é sim um relato espontâneo e carregado de emoções. Li-o num ápice!

 

 

Resta agradecer ao Major Miguel Costa Barreto este livro que, amavelmente, me ofereceu.

 

Be.

 

Errar é Divino

Sara, 22.01.11

 

 

Autor: Marie Phillips

Editora: Editorial Presença

Ano de Edição: 2009

Título Original: Gods Behaving Badly

Tradução: Ana Mendes Lopes

ISBN: 978-972-23-4251-3

N.º Pág.: 281

 

 

“Se os deuses são imortais, onde será que vivem e o que será que fazem em pleno século XXI?

A resposta poderá surpreendê-lo. Sim, os deuses do Olimpo estão vivos, mas, como os seus poderes já não são o que eram porque já ninguém os venera, o seu dia-a-dia é muito pouco lisonjeiro. Forçados a coabitar numa casa decrépita em Londres há já vários séculos, vêem-se também obrigados a dedicar-se a ocupações terrivelmente mundanas: Artemisa passeia cães, Dionísio é DJ numa discoteca, Afrodite atende chamadas eróticas e Apolo trabalho como apresentador de televisão. Mas por causa de uma briga entre estes dois últimos, nada vai voltar a ser como dantes. Afrodite pede a Eros que dispare uma das suas setas contra Apolo para se vingar dele… e o caos instala-se. Apolo apaixona-se por uma mera mortal e, quando os dois mundos chocam, as consequências são hilariantes.”

 

Este foi um dos livros que mais me decepcionou em 2010. Antes de o comprar, li o excerto que estava disponível na internet e achei-o muito engraçado, pareceu-me ser um livro com um início original, de leitura simples e a autora dava-lhe ainda um toque de humor que me agradava. Fiquei muito curiosa e mal podia esperar para tê-lo nas mãos!

 

O livro chegou. Parei as minhas leituras para descobrir um grande fiasco. Dá ideia que a autora definiu o início e final do livro e limitou-se a “encher chouriços” no entretanto. Como disse atrás, adorei o início do livro mas logo se transforma numa leitura aborrecida e em busca daquilo que prendeu, inicialmente, a atenção e que despertou curiosidade. As cenas de sexo, no meu entender, foram uma tentativa desastrosa de prender o leitor e caiem mesmo na “badalhoquice”.

 

Ainda pensei… se calhar com a expectativa criada acabei por ser exigente quando era suposto ser apenas uma leitura leve e despreocupada. Emprestei-o então a duas pessoas bastante diferentes. O primeiro não passou do 2º capítulo, o segundo leu-o e achou-o fraco com excepção à ideia base do livro e ao início e fim do livro… tal como eu.

 

Um livro que ficou muito aquém das minhas expectativas e antes tivesse perdido o meu tempo e dinheiro em outras leituras.

 

Nota:1/10