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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Opinião: Estorvo

Sara, 03.08.22

Autor: Chico Buarque

Editora: D. Quixote (Leya)

Ano de Edição: 2010

Nº Pág.: 155

Colecção: Autores Lusófonos

 

 

Sinopse:

O nosso narrador dorme quando a campainha toca e lhe interrompe o sono. Espreita pelo olho mágico e não reconhece quem vê: um homem de fato e gravata procura por si. A campainha insiste, o olho mágico distorce o rosto do outro lado da porta. E isto é o que basta para o narrador fugir de casa e cair numa espiral obsessiva, uma viagem de regresso a lugares esquecidos, de reencontros e recordações estranhamente familiares, uma odisseia que acaba por ser um exílio dentro de si mesmo. Estorvo, primeiro romance de Chico Buarque, é um texto notável, que se mantém constantemente no limite entre o sonho e a vigília, entre a realidade e a alucinação. E o olho mágico que separa os dois homens talvez seja a melhor metáfora da visão deformada com que o narrador, e o leitor com ele, olha o mundo que lhe é tão familiar e ao mesmo tempo tão distante. E talvez uma metáfora do mundo em que vivemos, em que é tão fácil sentirmo-nos sós.

 

Opinião:

Estorvo foi vencedor do Prémio Jabuti em 1992 na categoria Melhor Romance mas... não me prendeu. Estranhei um pouco a construção frásica e não conhecia várias expressões brasileiras, pelo que me perdi um pouco ao longo da leitura. Além disso, também me senti confusa logo no início da história...

Tudo começa com o protagonista a acordar com a campainha, a espreitar pelo olho mágico, sem conhecer quem lhe queria falar. Aguarda ansiosamente para poder fugir, enquanto a visita insiste e, nesse instante, inicia-se uma corrente impetuosa de pensamentos, a par da sua fuga, que já não o liberta mais.

E, começa a surgir-me, constantemente, na minha memória, a obra O Estrangeiro de Albert Camus, no qual o seu passado também o aprisiona, onde há uma angústia constante que o persegue e da qual não se consegue libertar. Nesta referência que tenho, a personagem principal, o enredo e a profundidade prenderam-me à leitura, o que não aconteceu com Estorvo. À medida que ia avançando e conhecendo melhor a personagem principal, a empatia inicial que sentia, foi-se desvanescendo...

Sou fã do músico Chico Buarque, como compositor, como letrista e cantor. Então, apesar de não ter conseguido apreciar este romance, tenho vontade de o reler mais tarde - nunca lemos os livros da mesma forma, tocam-nos sempre de forma diferente - ou pegar noutro romance dele, como Leite Derramado.

 

Pontuação: 4/10

 

Opinião: Cuidado com o Cão

Sara, 28.07.22

Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho

Editora: D. Quixote (Leya)

Ano de Edição: 2022 (2ª edição)

Nº Pág.: 384

ISBN: 978-972-20-7459-9

 

 

Sinopse:

Em plena pandemia, um médico reformado está confinado na casa onde vive só, atormentado por recordações dolorosas, quando lhe bate à porta uma mulher que ele nunca viu, mas que garante conhecê-lo bem. Duas irmãs que nunca se separaram um único dia caem num inesperado abismo e, por causa de um incidente, passarão sete anos sem se ver. E quatro cães desempenham papéis importantes nas vivências das personagens principais, cujas vidas acabam por se cruzar da forma mais inesperada.

Cuidado com o Cão é uma narrativa comovente sobre amor e redenção. Um livro carregado dos mais fortes e inconfessáveis sentimentos, e onde subitamente surge o enfermeiro Luís Gustavo e onde o carismático médico Pedro Gouveia assume um papel preponderante. 

 

Opinião:

Mais uma estreia minha, desta vez a conhecer Rodrigo Guedes de Carvalho! Lido numa leitura conjunta no canal da Maria João Covas e... é por isto que acho estas leituras tão interessantes: além da troca de ideias, tenho descoberto livros e autores que talvez não viesse a conhecer, se não fossem estas leituras e iria estar a perder tanto...!

A leitura inicia-se com duas histórias em paralelo, duas famílias que à partida, pelo seu contexto, não se cruzariam. Mas nós sabemos que sim, de que outra forma faria sentido? E aqui a minha curiosidade começa a aguçar... à medida que vou conhecendo melhor cada família, começo a questionar-me "Será através deste acontecimento? Desta personagem?".

Na página 39, a referência a Jane Goodall deu-me logo um K.O. E eu, que nem comecei a adorar o livro logo de início pois a temática circense - que temi que se estendesse ao longo de todo o livro - não me desperta qualquer interesse... fiquei arrebatada. Pode parecer algo tonto mas senti que partilhava uma admiração com o escritor e isso só poderia trazer algo de bom!

Posto esta pequena partilha, neste livro existem várias reflexões sobre acontecimentos na vida que poderão ser comuns ao leitor, como: mudar de vida, uma situação de assédio no local de trabalho, crescer num ambiente tóxico, o medo da discriminação, a procura da individualidade, um casamento que se segura pela existência de um filho, entre outras coisas. E a parte surpreendente é que o escritor consegue abordar todas estas situações, sem forçá-las.

Gostei imenso da escrita e da construção da narrativa. Mais uma vez, tive em mãos um livro com praticamente 400 páginas que foi lido num ápice. No entanto, parte da história não me cativou tanto, como já referi.

No futuro, irei concerteza descobrir mais livros de Rodrigo Guedes de Carvalho.

 

Pontuação: 8/10

 

Carta à Minha Filha

Sara, 31.08.16

 

Autor: Maya Angelou

Título Original: Letter to My Daughter

Editora: Estrela Polar (Grupo Leya)

ISBN: 978-989-8206-35-0

N.º Páginas: 186

 

 

 

 

 

Sinopse:

Em pequenos e fascinantes textos, Maya Angelou permite-nos vislumbrar alguns aspectos da vida tumultuosa que a levou à posição cimeira que ocupa nas letras americanas e lhe ensinou lições de solidariedade e de força: a sua educação por uma avó insubmissa no ambiente de segregação racial do Arkansas, a sua vida a partir dos treze anos com a mãe, uma pessoa muito mais mundana e menos religiosa, até se transformar numa adolescente meio desajeitada, cuja primeira experiência de sexo sem amor a deixou, paradoxalmente, com a sua maior dádiva, um filho.

Maya Angelou escreve do coração para milhões de mulheres que considera fazerem parte da sua família. Como sempre acontece com as suas obras, Carta À Minha Filha é um livro que encanta e ensina. É um livro para estimar, saborear, ler várias vezes e partilhar.

 

Opinião:

Foi uma mera coincidência ter pegado num livro prático após ter lido o de Alain de Botton (Como Proust Pode Mudar a Sua Vida). Já conhecia a autora através de diversas entrevistas que deu a Oprah (vê esta, onde fala, nomeadamente, do poema que Bill Clinton lhe solicitou) mas nunca tinha tido oportunidade de lê-la, apesar da sua reputação, na escrita e na poesia, tê-la sempre antecedido.

Carta à Minha Filha é um livro de memórias, onde a autora, através de histórias da sua vida e de alguns poemas, vai contando alguns momentos marcantes, culminando em lições para o leitor, revelações que foram surgindo com a sua experiência de vida. É também um livro prático mas penso que mais atual e mais transversal, seja na idade, sexo, raça ou credo.

Podes não controlar todos os acontecimentos da tua vida, mas podes decidir não deixar que eles te debilitem. Tenta ser o arco-íris da nuvem de outra pessoa. Não te queixes. Esforça-te por mudar as coisas de que não gostas. Se não conseguires mudá-las, muda a tua maneira de pensar. Talvez descubras uma nova solução

Talvez por já conhecer a voz calma e meiga da autora, e achá-la tão reconfortante, acabei por ler o livro através dessa mesma voz. É um livro íntimo e intenso e foi escrito, sem qualquer dúvida, com muita sabedoria, ternura e amor. Li-o em dois dias, mas podia tê-lo lido em poucas horas, não fosse o meu desejo que esta leitura nunca mais terminasse! Peca por algumas das "cartas" terem sido escritas de uma forma tão resumida...

 

Como Proust Pode Mudar a Sua Vida

Sara, 27.08.16

 

Autor: Alain de Botton

Título Original: How Proust Can Change Your Life

Editora: Publicações Dom Quixote (Grupo Leya)

ISBN: 978-972-20-3876-8

N.º Páginas: 235

 

 

 

 

 

Sinopse:

Como Proust Pode Mudar a Sua Vida é um livro prático destinado a ajudar as pessoas a serem mais felizes: como amar a vida hoje? Como exprimir as emoções? Como ser um bom amigo? Estes são alguns dos temas tratados no livro. Botton parte do livro de Proust Em Busca do Tempo Perdido para falar sobre estes temas.

 

Opinião:

Neste livro, Botton escreveu um conjunto de instruções para os mais jovens sobre tópicos como a amizade, o amor, o sofrimento e a consciência. Para os que já viveram bastante e vão refletindo no seu dia-a-dia, poderá ser visto como um manual de estratégias de sobrevivência que vamos adquirindo ao longo da vida mas que talvez não consigamos descrever e compilar de uma forma tão bem verbalizada e perspicaz.

 

No entanto, não o vejo como “um livro divertido” como tantas críticas o descreveram. Vejo-o, sim, como um livro estimulante. É um daqueles livros que pode ser mantido sempre por perto e folheado, que trará sempre um bom conselho.

 

Não o recomendo a quem não goste minimamente de livros de auto-ajuda, pois este é um livro prático, onde Botton se apoia em Proust como ajuda terapêutica para curar diversos males.

A Princesa do Gelo - Camilla Läckberg

Sara, 01.04.13


Ficha Técnica:

Autor: Camilla Läckberg

Editora: Oceanos, Leya

Título Original: ISPRINSESSAN

ISBN: 978-989-23-0672-8

N.º Pág.: 399

 





Sinopse:

"De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir.

Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.

Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem.

Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador.”

 

Opinião:

Assim que ouvi falar de uma escritora que era considerada como a nova Agatha Christie, quis conhecer Camilla Läckberg e o seu livro A Princesa de Gelo! Foi então com imensas expectativas que iniciei esta leitura…

Achei a primeira parte desta leitura bastante envolvente. Alex é encontrada morta na banheira tendo, aparentemente, cometido suicídio. No entanto, após a autópsia, essa hipótese é colocada de parte e surgem vários suspeitos com fortes razões para terem cometido esse crime.

Erica, a sua melhor amiga de infância e agora escritora, é convidada pelos pais de Alex a escrever um panegírico para ser publicado no jornal da região e é através de Erica que vamos conhecendo Alex, à medida que vai reconstituindo todos os seus passos.

Alex é uma pessoa misteriosa, que parece esconder algo sobre o seu passado. Mantém uma relação bastante distante com o marido e até com a sua amiga de faculdade com quem abriu uma galeria de arte. E o mesmo acontece com os seus pais e irmã. Mas nem sempre foi assim. Até aos seus 12 anos, Alex brincava com Erica e era uma criança vivaça mas, subitamente, Alex distanciou-se de todos, incluindo de Erica e, pouco tempo depois, mudou-se com a família para a Suiça.

A narração vai alternando entre Erica, Patrik e as restantes personagens, o que torna a leitura ainda mais fascinante à medida que se vai conhecendo as ideias e reflexões de cada um.

Ao longo da leitura perdi um pouco do entusiasmo. Parece que o suspense da história nos prepara para um final arrebatador e, para além da leitura se tornar um pouco monótona, fiquei bastante desiludida com a personagem escolhida para autor do crime…

 

Atenção: contém spoilers!

Tanto na narrativa principal que gira em torno da investigação da morte de Alex, como na restante história, a escritora desenvolve alguns temas bastante delicados.

 

 

Citações:

“Há muito que Erica não ia àquela casa, mas em tempos conhecera-a bem, e sabia onde era a casa de banho. Estremeceu de frio, apesar das suas roupas quentes. Abriu lentamente a porta da casa de banho e entrou.“

 

“Apesar de não desejar realmente levar a cabo aquela tarefa, em abono da verdade, uma ideia começou a germinar no seu cérebro de escritora. Erica afastou o pensamento e sentiu-se uma pessoa má só por tê-lo tido, mas ele persistia e recusava-se a partir. Uma ideia para um livro seu: a ideia que há muito tempo procurava estava mesmo à sua frente. O relato de uma mulher para cumprir o seu destino. Uma explicação sobre o que levara uma mulher jovem, bonita e obviamente privilegiada a uma morte auto-infligida.”

 

“Eram cuidadosos para não deixarem que ninguém alguma vez os visse juntos. Isso destruiria a magia. O feitiço quebrar-se-ia e não conseguiriam manter a realidade ao largo. A realidade era algo que tinha de ser evitado a qualquer custo. Era feia e cinzenta e não tinha nada a ver com o mundo de sonho coberto de sol que conseguiam construir quando estavam juntos (…) Por si só, cada um deles não era ninguém. Juntos, eram os Três Mosqueteiros.”  

 

 

Pontuação: 3/5 - Gostei mas ficou aquém das expectativas