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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Opinião: A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da

Sara, 01.07.22

Autor: Mark Manson

Editora: Saída de Emergência

Ano de Edição: 2018 (1ª) 

Título Original: The Subtle Art of Not Giving a Fuck

Tradução: Fernanda Semedo

Nº Pág.: 200

ISBN: 978-989-8892-01-0

Sinopse:

Durante décadas convenceram-nos de que o pensamento positivo era a chave para uma vida rica e feliz. Mas esses dias chegaram ao fim. Que se f*da o pensamento positivo! Mark Manson acredita que a sociedade está contaminada por grandes doses de treta e de expectativas ilusórias em relação a nós próprios e ao mundo.

Recorrendo a um estilo brutalmente honesto, Manson mostra-nos que o caminho para melhorar a nossa vida requer aprender a lidar com a adversidade. Aconselha-nos a conhecer os nossos limites e a aceitá-los, pois no momento em que reconhecemos os nossos receios, falhas e incertezas, podemos começar a enfrentar as verdades dolorosas e a focar-nos no que realmente importa.

 

Opinião:

Este é, sem dúvida, um livro de autoajuda diferente. Não sei é se será, necessariamente, no melhor sentido.

O escritor questiona as abordagens típicas que se encontram noutros livros de autoajuda e até argumenta essas crenças, teorias, etc. mas tinha mesmo de se exprimir de forma vulgar? Ser direto, não ter papas na língua não implica ter capítulos ou subcapítulos intitulados de "Valores Merdosos" ou "Que se F*da - A Arte Subtil de Ignorar o que Não Interessa na Vida". Claro que o nome do livro já indicava que este poderia ser o caminho escolhido e dou esse desconto - afinal peguei no livro - mas depois encontram-se tiradas como "Percebemos que nunca vamos descobrir a cura para o cancro, nunca iremos à Lua nem apalparemos as mamas à Jennifer Aniston."

Não sei se a ideia era passar uma imagem cool e atrair um público mais jovem (no entanto, Jennifer Aniston remete-nos à serie Friends dos anos 90...). Mas é por achar que o conteúdo deste livro até seria mais útil, precisamente, na adolescência, que fico mais incomodada com as dezenas de asneiras gratuitas.

Mais útil na adolescência pois acredito que, à medida que os anos vão passando, o ser humano acaba por refletir em todos (ou quase todos) os assuntos abordados no livro, através das experiências de vida que vai tendo. 

Posto isto, o escritor vai relatando episódios do seu passado ou mesmo de figuras conhecidas para defender as suas ideias, passando por emoções e temas transversais a qualquer ser humano como a felicidade, o sofrimento, o fracasso, o sucesso e a rejeição.

Por exemplo, o autor recorda o efeito nefasto das redes sociais, onde se partilham as melhores fotos entre as cem que ficaram horríveis, refletindo uma construção irrealista do dia-a-dia tendo, como consequência, a sensação de que o visualizador está a fracassar, vivendo uma realidade sensaborona, monótona e pontuada por desgraças que só a si lhe acontecem.

 

Pessoalmente, foram apenas as últimas 20 páginas deste livro que resultaram para mim, onde há uma reflexão sobre o compromisso e a morte e como cada uma influencia a forma como vivemos a nossa vida.

(...) a rejeição de alternativas liberta-nos - a rejeição do que não está alinhado com os nossos valores mais importantes, com os padrões que escolhemos, a rejeição da procura constante da vastidão sem profundidade (...) A vastidão da experiência é provavelmente necessária e desejável quando se é jovem - afinal, é preciso sair e descobrir o que parece merecer o nosso investimento. Mas é na profundidade que está enterrado o ouro (...)

 

Pontuação: 2/10

A Redescobrir os Grupos de Leitura

Sara, 30.06.22

2022 foi o ano em que um grande sonho meu se realizou: fui mãe!

Sim, ao meu lado, tenho o meu grande amor, de 2 meses, a dormir, embalado por composições de Mozart, enquanto escrevo este post. Sou uma mãe babada mas não é (só) por isso que o estou a incluir aqui. A gravidez implicou um início de 2022 muito calminho e, por isso, mais tempo para me dedicar à leitura. Por isso, em 2022, estou a redescobrir os grupos de leitura!

 

Há uns 15 anos atrás (!) li vários livros em conjunto no antigo fórum da Estante de Livros, da Célia. Recordo sempre esses tempos com grande nostalgia!

Agora com mais tempo, decidi procurar mais grupos onde se partilhassem leituras e onde se trocassem opiniões sobre as leituras. No ano passado, já tinha começado a participar no canal Livros? Gosto! da Maria João Covas, que este ano, além das leituras conjuntas e sprints de leitura, tem também realizado projetos novos no canal e no Instagram, o Desafio da Camilla Lackberg e o seu Desafio, com um tema por mês. Para saberem mais, cliquem aqui!

No início do ano, encontrei um grupo de leitura no GoodReads, o Read-Along onde, a cada dois meses, lemos um livro em conjunto, votado por todos e dentro de determinado tema, e outro individualmente.

No mês passado, descobri o grupo de leitura da FNAC, na plataforma discord e a propósito do tema Viagens, vamos discutir um livro publicado já há algum tempo, mas algo polémico: O Lado Selvagem que, posteriormente, foi adaptado ao cinema por Sean Penn. Ainda no mês passado, recebi convite para um novo grupo de leitura também na plataforma discord, O Som das Palavras, para o qual acabei recentemente a leitura de Piranesi, de Susanna Clarke. No próximo mês, iremos ler A Casa no Mar Cerúleo, de TJ Klune. Se esta é uma leitura que te poderá interessar, junta-te a nós!

 

Nesta última semana, tenho descoberto Booktubers, contas de Instagram e podcasts sobre livros mas tudo isso fica para um outro post!

Opinião: O Menino de Cabul

Sara, 24.06.22

Autor: Khaled Hosseini

Editora: Editorial Presença

Ano de Edição: 2013 (1ª) 

Título Original: The Kite Runner

Tradução: Sofia Gomes

Nº Pág.: 333

ISBN: 978-972-23-5128-7

 

Sinopse:

No inverno de 1975, em Cabul, tudo o que Amir mais deseja no mundo é ganhar um concurso de papagaios para poder impressionar o seu pai, e Hassan, o seu amigo inseparável, está determinado a ajudá-lo. Mas, na tarde do concurso, um terrível acontecimento vai destruir os laços que unem os dois rapazes para sempre. E, mesmo quando a família de Amir é forçada a fugir do Afeganistão após a invasão soviética, Amir sabe que um dia terá de regressar à sua terra natal em busca de redenção.

 

Opinião:

Este foi outro livro lido a propósito de um desafio de leitura, desta vez proposto pelo grupo "Read-along", na plataforma Goodreads, durante o mês de Abril.

Este era um livro que eu já tinha na prateleira há imenso tempo e lembro-me que tinha lido várias críticas positivas quando todos andavam a lê-lo, mas nunca pensei que me fosse tocar tanto.

A história faz-nos viajar até ao Afeganistão, país de que eu nada conheço e, só por isso, já foi uma leitura enriquecedora. O escritor nasceu em Cabul, portanto quem melhor para contextualizar a história? Dar-nos um pouco da realidade da cidade e do país?

Descobri, por exemplo, que os cidadãos acreditaram que os taliban iriam libertá-los do domínio soviético mas, em pouco tempo, viram-se numa realidade ainda pior, assim que começaram as perseguições e chacinas, em praça pública. O escritor fez, ainda, questão de associar a violência sexual à guerra, nomeadamente com o fornecimento de crianças, a troco de dinheiro, aos taliban. Infelizmente, a existência de violência sexual a par com a guerra é algo que continua a ser bem real, pelo que às vezes me esqueci de que estava a ler um livro de ficção.

A relação de amizade entre os dois personagens principais, Amir e Hassan, tanto me enterneceu como chocou. Numa idade inocente, em que devemos brincar e aprender, foram diversas as situações onde a lealdade entre os amigos foi posta à prova e onde o sentimento de culpa ganhou uma dimensão cruel.

O escritor criou uma história muito envolvente, que me prendeu e que não quis largar até ao seu desfecho.

 

Nota: 9/10

Opinião: A Construção do Vazio

Sara, 17.06.22

Autor: Patricia Reis

Editora: Dom Quixote

Ano: 2017 (1ª ed.)

N.º Pág.: 160

ISBN: 978-972-20-6231-2

 

 

 

Sinopse:

A história de Sofia, uma menina-tesoura que sobrevive a uma relação de violência e abuso e cresce com a convicção de que a maldade supera tudo.
Será possível atenuar a dor?
Como se resiste ao fantasma real da infância?
Que decisões partem dessa memória e podem limitar a vida?
Sofia abriga-se na amizade de três homens, Eduardo, Jaime e Lourenço, e vive sem desejo, sem vontade, de construção em construção, sendo o vazio o objectivo final.

 

Opinião:

No mês de Maio, a Maria João Covas, no seu desafio de leitura, propôs a leitura de um livro escolhido por um amigo e foi assim que conheci a escrita crua de Patrícia Reis.

Este foi um livro difícil para mim. Foram várias as vezes que tive de o poisar e respirar bem fundo. Precisava de uma pausa para relembrar que era apenas uma história. O realismo na escrita de Patrícia Reis fez sentir que Sofia estava bem perto de mim. Talvez conseguisse vê-la por uma janela, testemunhar tudo, mas sem nunca conseguir alcançá-la.

O livro é relativamente pequeno mas a escrita é tão rica que cada página mexe com as emoções de quem o lê. É uma história dura, que começa quando Sofia ainda é criança. E como pode uma criança crescer feliz, sentir-se amada, se aprende desde cedo que o mundo é um local violento? Se até nós, leitores, adultos, sentimos angústia ao ler os acontecimentos que vão pautando a sua vida?

Como poderia Sofia apagar as suas memórias?

 

Pontuação: 10/10

 

Ainda da sinopse: "Sofia surge pela primeira vez no livro Por Este Mundo Acima (2011) ..." e os personagens Eduardo, Jaime e Lourenço também, pelo que espero descobrir esta leitura em breve.