Justine
Autor: Marquês de Sade
Editora: Impresa, exclusivo para a colecção “Obras Primas da Literatura Erótica” (Revista Visão).
Ano de Edição: 2009
Título Original: Justine ou les malheurs de la vertu
Tradução: Adelino dos Santos Rodrigues
Ilustração: Jacob Taurà
N.º Pág.: 198
“Justine – personagem emblemática desta figura da aristocracia, que se celebrizou por escândalos sucessivos e pela sua vida depravada – é uma jovem aparentemente virtuosa que vai relatando, com os mais explícitos pormenores, uma vida de orgias, abusos, violações e <<sadismos>> vários…”
Tudo começa quando Justine e Juliette, filhas de um comerciante abastado, colocadas num dos melhores conventos de Paris, vêem a sua sorte mudar. O pai foge para Inglaterra após a sua falência e a mulher, desgostosa, morre uma semana depois. Abandonadas, são também obrigadas a deixar o convento e seguirem com a sua vida. E aqui se separam. Juliette, de 15 anos, estava decidida pelo caminho mais fácil que a tornasse rica. Justine, de 12 anos, ingénua e virtuosa recusou-se resolutamente a viver com a irmã.
No dia seguinte, Juliette dirigiu-se para casa de Du Boisson, onde foi posta à venda a tantos homens que deles perdeu a conta. Entre todos esses homens, conheceu um conde que acabou por se apaixonar e casar com ela. Entre os mais variados crimes que Juliette cometeu, foi acumulando uma fortuna incalculável.
Mas foi a honestidade, ingenuidade e virtude que Marquês de Sade explorou na sua obra, contando, com todos os pormenores, a vida de Justine.
Justine, ao contrário de Juliette, procurou uma casa onde pudesse servir, uma casa correcta, tarefa que se mostrou bem difícil. A ingenuidade de Justine fazia com que acreditasse na bondade das pessoas, apercebendo-se tarde das suas verdadeiras intenções. Justine foi acusada de diversos crimes que nunca cometeu, foi chantageada, torturada e mais tarde, ao procurar auxílio num convento, dirigiu-se ao verdadeiro terror de toda a sua vida.
Se a ideia de explorar, filosoficamente, a dicotomia “Infortúnios da Virtude vs. Prosperidade do Mal” parece interessante, a forma como o escritor a levou à exaustão, repetindo incansavelmente as mesmas ideias do início ao final da obra, tornou-a insuportável. Não gostei da descrição excessiva de todos os momentos de tortura pelos quais Justine passou nem tão pouco das orgias a que foi submetida. A ingenuidade de Justine, tola que acredita em todos que à sua frente surgem, cai no ridículo.
Verdadeiramente torturada fui eu para chegar ao final do livro, do qual apenas uma página me marcou…
“Num mundo inteiramente virtuoso aconselhar-te-ia sempre a virtude, pois, como para ela haveria recompensas implícitas, nela estaria infalivelmente a felicidade. Mas num mundo inteiramente corrupto jamais te aconselharia outra coisa que não fosse o vício. Aquele que não trilha o caminho dos outros acaba inevitavelmente por perecer (…) Quando o interesse geral dos homens os leva à corrupção, aquele que não quer corromper-se com eles luta contra o interesse geral.”
Pontuação: 2/10
