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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

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Livros na Minha Cabeceira

Opinião: Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão

Sara, 02.03.22

Autor: Maurice Leblanc

Editora: Cultura

Ano: 2021 (1ª ed.)

N.º Pág.: 183

ISBN: 978-989-9039-35-3

 

 

Sinopse:

Ousado, sedutor e divertido, Arsène Lupin é o criminoso ladrão mais famoso do início do século XX. Responsável por uma série de crimes misteriosos em França, o anti-herói mantém um código de honra muito próprio: atormenta os seus oponentes, ridiculariza a burguesia e ajuda os mais fracos. Um Robin Hood muito francês, portanto. Não se leva muito a sério, a sua arma mais mortífera é a perspicácia e não é um aristocrata que se aclama como anarquista, mas sim um anarquista que vive como aristocrata.

 

Opinião:

Este livro consiste numa série de contos, onde Lupin é o protagonista. É um ladrão inteligente, com classe e honra mas também com sentido de humor.  Apesar de descobrirmos em cada conto como Lupin consegue ludibriar a sua vítima, não acho que esta seja a parte mais interessante da leitura, nem a principal razão pela qual se deve pegar neste livro. Aquilo que marca os contos, é mesmo o código de honra deste ladrão. Desta forma, está sempre presente a dicotomia ladrão/gentleman, o que torna Lupin num protagonista muito curioso e com um humor acutilante.

Um exemplo disto encontra-se no conto "Arsène Lupin na Prisão", no qual Arsène escreve uma carta, a partir da prisão, a um barão que pretende roubar. Descreve-lhe os artigos que o barão tem em casa e quais deverá enviar-lhe (com portes pagos, claro). Refere ainda que, caso não os envie, será o próprio Lupin a deslocar-se a sua casa, indicando em que noite fará o roubo e que, assim, não se contentará apenas com os objetos que referiu. No final da carta, pede desculpa pelo incómodo que poderá estar a causar e ainda em P.S. tem ainda o cuidado de informar que um dos quadros que o barão tem em sua posse é uma cópia e que também duvida da autenticidade de outro objeto.

E é este o sentido de humor que vamos descobrindo à medida que conhecemos mais um caso de Arsène Lupin.

Quanto à escrita, apesar de ser já um clássico da literatura francesa, é muito simples e fácil de ler, pelo que se terminam estas quase 200 páginas num instante!

 

Por fim, falando em adaptações...

Umas vezes são os livros que nos conduzem à adaptação cinematográfica, outras vezes o oposto. E, se antes, regra geral, encontrava nos livros uma versão que me prendia mais, através de detalhes que um filme não consegue transmitir, esta foi mais uma vez que encontrei uma série que a meu ver conseguiu ultrapassar o livro. Apesar de não se tratar de uma adaptação, a série é inspirada nos seus contos.

Na Netflix, podem encontrar a série Lupin.

 

 

Pontuação: 7/10

 

Um Cântico de Natal. O Livro. A Peça. O Filme.

Sara, 22.10.09

“Com esta narrativa, Dickens inventou o moderno espírito natalício e ofereceu-nos uma das mais inspiradoras e recriadas histórias de sempre. As suas personagens, Scrooge, o pequeno Tim e os Três Fantasmas do Natal (Passado, Presente e Futuro), são nos dias de hoje ícones do verdadeiro significado do Natal”.

 

 
Quando me apercebi que este conto ia ser adaptado ao cinema e ao teatro nem pensei duas vezes: próxima leitura!
 
Já conhecia o Sr. Scrooge pois é muito referido em filmes, livros, etc. mas não fazia ideia de qual era a origem desta personagem! E fiquei admirada quando comecei a ler o conto, tendo logo, no primeiro parágrafo, várias referências a ele. Depois em conversa com a Reader (a escritora Catarina Coelho) soube que tinha sido Charles Dickens o criador do Sr. Scrooge!
 
“Um Cântico de Natal” conta a história de um homem amargo, avarento, solitário e de mal com a vida, o Sr. Scrooge, que na véspera de Natal é visitado pelo fantasma de Marley, o ex-sócio dele, que morreu há sete anos atrás. Marley aparece-lhe acorrentado e explica-lhe que está preso pela corrente que forjou ao longo da sua vida. E que ao contrário dele, e apesar de Scrooge caminhar na mesma direcção, ainda tem uma oportunidade de se redimir. Marley conta-lhe que nas próximas noites, Scrooge irá ser visitado por três espíritos, que será esta a sua última esperança.
 
O conto apesar de único, é pequeno e bastante simples, o que faz com que não me possa alongar muito, não quero contar como se desenrola o aparecimento dos fantasmas e muito menos o final do Sr. Scrooge!
 
Mas espera-vos uma leitura inesquecível, um conto brilhante e com um toque especial ao caminharmos para o Natal!
 
 

As Sete Mulheres do Barba-Azul

Sara, 03.08.09

“Neste conto, Anatole France toma nas suas mãos a tarefa de desmistificar todos os equívocos à volta da figura de Barba-Azul, personagem celebrizada pela história que Charles Perrault publicou em 1698.

Com este texto, passamos a conhecer a existência de Barba-Azul e das suas sete esposas, que na sua maioria, uma após outra, vão desaparecendo da sua vida, em circunstâncias bastante bizarras e inverosímeis. Tais acontecimentos tornam-no suspeito e culpado aos olhos dos outros mas, através de fontes fidedignas, vem-se a constatar que o monstro é na verdade uma vítima de todas as suas mulheres, vindo mesmo a sucumbir às mãos da sétima.”
 
Li, hoje, esta obra de Anatole France, galardoado com o Prémio Nobel em 1921, de uma ponta à outra, de forma compulsiva, no espaço de uns quarenta minutos. Conta-se a história de Bernard de Montrageux, conhecido por Barba-Azul, baseada em documentos autênticos, ao longo de cinco pequenos capítulos.
No primeiro capítulo, Anatole France mostra como este homem foi denegrido por, por exemplo, Charles Perrault que o apresentou, num famoso conto infantil, como uma personagem da maior crueldade existente. Nos capítulos restantes, conta a história do envolvimento de Barba-Azul com cada das suas sete mulheres, por ordem cronológica. O fim de cada relação acaba de forma tão incrédula que nos leva a pensar se é possível um homem, ao longo de toda a sua vida, ter tanto azar. Isto porque Barba-Azul é-nos apresentado como alguém bastante tímido e de bom coração e que foi enganado por todas as mulheres com que se casou pela sua enorme fortuna que todas elas ambicionavam ter.
Neste pequeno conto, existe uma divisão do seu castelo, de estilo gótico e todo decorado à italiana, que funciona como prenúncio da desgraça que está iminente de ocorrer e cuja chave se acredita estar amaldiçoada. Esta divisão é conhecida por “Gabinete das Princesas Desafortunadas” devido às pinturas de um artista de Florença, que representam trágicas histórias de várias mulheres, que cobrem as paredes. A primeira esposa de Barba-Azul desaparece nesta divisão e a partir daí, sempre que uma das suas esposas lá entra, estamos perante um trágico presságio de morte.
 
Fica aqui uma sugestão de uma obra de fácil e engraçada leitura, com uma alusão ao fantástico por meio da chave do pequeno gabinete do Castelo das Guillettes. Um conto que apresenta a personagem dos contos de fadas como um homem sofrido e bem real.