Autor: (Major) Miguel Costa Barreto
Editora: A Esfera dos Livros
Ano de Edição: 2010
ISBN: 9-789896-262143
N.º Pág.: 261
Devo começar por dizer que, antes de ler este livro, não nutria grande apreço por forças de segurança. Até hoje só tenho razões de queixa e há muito que tinha passado a ignorar a existência desta “gente”. Para além disso, muito menos compreendia a presença de tropas portuguesas em qualquer local de conflito - não achava que lá fossem fazer grande coisa comparativamente a tropas de outros países…
Mas “Guerra é Guerra” foi uma enorme surpresa!
O autor descreve diferentes situações, desde a preparação das tropas para a missão, acontecimentos inesperados que ocorreram desde o dia de partida para o Iraque - um atentado num quartel, em Nassíria, para onde o contigente da GNR portuguesa iria partir -, quando chegaram ao Kuwait – o avião que iria levá-los até Nassíria, transportava os mortos e feridos no atentado do dia anterior, foi substituído por simples autocarros – e o rapto dos jornalistas portugueses (Carlos Raleiras, enviado da TSF, tinha sido raptado e Maria João Ruela, da SIC, tinha sido baleada por uma kalashnikov).
Bastam dois dias, o da partida e da chegada para qualquer leitor perceber que todos os planos traçados em Portugal podiam, num segundo, desabar e que a capacidade de “desenrascanço” dos portugueses revela-se, aqui, numa enorme qualidade.
Em paralelo com a missão, o autor vai também partilhando momentos da sua vida. Para além de Major, Miguel Costa Barreto é filho, marido e pai. As saudades da família são uma constante assim como a preocupação com as notícias que chegariam a Portugal e que deixariam a sua família em desespero. Foram vários os momentos em que senti o medo de Miguel Barreto por poder não voltar a casa e conhecer o seu segundo filho.
A minha parte preferida do livro foi o capítulo dedicado à ajuda humanitária. O apoio à reconstrução de uma escola, a visita ao hospital pediátrico onde a entrega de medicamentos e soros contra venenos é um ocasional evento e o episódio no qual uma criança é salva por um kit de primeiros-socorros são momentos tocantes deste livro. A escrita do Major Miguel Costa Barreto não se cinge a uma descrição objectiva, é sim um relato espontâneo e carregado de emoções. Li-o num ápice!
Resta agradecer ao Major Miguel Costa Barreto este livro que, amavelmente, me ofereceu.
Be.
Albert Camus foi um escritor francês, filósofo e jornalista, e o primeiro escritor nascido em África a ganhar o prémio Nobel de Literatura, em 1957. É também, até hoje, o laureado com a mais curta vida. A sua escrita é associada ao existencialismo mas numa entrevista, em 1945, Camus recusou qualquer associação ideológica.
Gabriel García Márquez recebeu o Nobel de Literatura em 1982 por se considerar que “produziu, através do campo literário, o mais magnífico trabalho numa direcção ideal”. Este seu trabalho inclui obras como a tão conhecida “Cem Anos de Solidão”. Para além de escritor e criador do estilo “Realismo Fantástico”, é jornalista, editor e activista político.
Conhecido por Gabito, nasceu a 6 de Março de 1927, em Aracataca, onde os seus pais possuíam uma farmácia homeopática. Por razões monetárias, foram os avós maternos que cuidaram de Gabriel e só após a morte do seu avô e a crescente cegueira da avó, foi viver com os seus pais que, até ao momento, mal conhecia.
Enquanto criança, vivia encantado com os relatos da Guerra Civil e com as histórias de fantasmas e de premonições que o seu avô materno, veterano da Guerra dos Mil Dias, e a sua avó materna lhe contavam, respectivamente. Do seu avô herdou a visão política e de sua avó a magia e a superstição que, mais tarde, influenciaram as suas obras como acontece com nas personagens em “Cem Anos de Solidão”. A obra “O Amor em Tempos de Cólera”, publicado em 1986, é quase uma adaptação do complicado romance que os seus pais tiveram dado que o seu avô materno queria para sua filha outro tipo de homem e até tentou, por várias vezes, afastá-los. No entanto, acabou por aceitá-lo devido à convicção que o pretendente tinha por sua filha.
A sua paixão por livros continuou durante a sua adolescência e leu obras que iam desde “As Mil e Uma Noites” a “Metamorfose” de Frank Kafka. Este último teve uma importância extrema por lhe revelar a infinitude de personagens possíveis de criar e por lhe lembrar as histórias que a sua avó lhe contava.
Na escola, era conhecido como um rapaz tímido, sério e sem qualquer jeito para os desportos, características que alimentaram a sua alcunha de “Old Man” dada pelos seus colegas. Foi um excelente aluno e ganhou, por isso, uma bolsa de estudos para uma escola secundária onde estudavam apenas alunos brilhantes. Mais tarde, em 1947, por desejo de seus pais, ingressou na Universidade Nacional da Colômbia em Direito e Ciências Políticas, em vez de Jornalismo como gostaria, acabando por abandonar os estudos em 1950. Foi ainda durante os tempos de universidade que escreveu a sua primeira ficção que foi publicada no jornal El Espectador que lhe publicou mais dez histórias nos anos seguintes.
Durante umas pequenas férias que fez com os seus pais, entre o liceu e a universidade, conheceu a sua futura mulher, que na altura tinha apenas 13 anos, por quem logo se apaixonou e pediu em casamento. Mercedes na altura recusou porque queria primeiro completar os seus estudos e combinaram que só se casariam daí a 14 anos.
Após a sua experiência no jornal El Espectador, começou a trabalhar como jornalista para o jornal El Universal, onde assinava uma coluna diária. Entretanto, começou também a participar num círculo de literatura conhecido por “El grupo de Barranquilla” que influenciaram as suas leituras para escritores como Hemingway, Joyce, Woolf e Faulkner. Nesta altura, conheceu também Sophocles. Estes últimos dois escritores foram grandes influências nas suas obras entre os seus 40 e 50 anos, na construção, por exemplo, de Macondo (“banana” na língua Bantu), a mágica povoação, inspirada numa plantação de bananas onde em criança brincava, que apresenta pela primeira vez em “A Revoada”, o seu primeiro romance, publicado em 1955 e rejeitado em 1952, e da importância social e política das suas personagens.
Foi no El Espectador que contou a controversa e verídica história de um naufrágio, “Relato de um náufrago”. Esta obra conta a história verídica do naufrágio do “Caldas” tendo como único sobrevivente Velasco que foi tornado um herói nacional e usado em propaganda pelo Governo. No entanto, estavam, na realidade, a transportar carga ilegal e o naufrágio apenas se deu por negligência e incompetência da tripulação, relato directamente contado por Velasco a Gabriel. Com receio que fosse perseguido pela publicação de Gabriel, os editores de El Espectador enviaram-no para Itália para realizar a cobertura do provável falecimento do Papa Piu XII. Como acabou por não se suceder nessa altura, viajou durante uns tempos pela Europa como correspondente.
Em 1958, casou-se finalmente com Mercedes, na Colombia, e viveram ambos em Caracas até ao ano seguinte marcado pelo nascimento do seu primeiro filho, Rodrigo (actual realizador). Em 1959, mudaram-se para Nova Iorque, mudança esta que durou apenas um ano devido às constantes ameaças de morte que recebia. De Nova Iorque foram para o México, onde publicou “Ninguém Escreve ao Coronel” e onde nasceu o seu segundo filho, Gonzalo.
A sua epifania ocorreu em Janeiro de 1965 enquanto conduzia, acompanhado pela sua família, num passeio a Acapulco. Nesse mesmo momento virou o volante e regressaram a casa. Enfiou-se num quarto e escreveu todos os dias durante 18 meses. Venderam o carro e penhoraram o recheio da casa para terem dinheiro para comer, comprar papel e cigarros para Gabriel. Viveram, durante esse tempo, de empréstimos, créditos e ajuda de toda a comunidade que sentiu que algo de extraordinário estava a ser criado. Por último, escreveu o título da obra, “Cem Anos de Solidão” e saiu, finalmente, do quarto, exausto e praticamente envenenado por nicotina. A obra foi publicada em 1967 e em todas as semanas esgotavam as cópias feitas. Gabriel foi finalmente conhecido a nível mundial, com os seus 39 anos.
Em 1981, quando voltava à Colombia duma visita que fez ao seu amigo Fidal Castro, foi acusado de financiar um grupo de guerrilhas e pediu exílio no México. Rapidamente se arrependeram das acusações que lhe fizeram e convidaram-no a visitar Colômbia quando recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1982 que o distinguiu pelas suas obras de ficção ou não ficção, as suas novelas e histórias curtas.
Em 1999, foi-lhe diagnosticado um cancro linfático que hoje ainda o combate e que o faz viajar muitas vezes até Los Angeles, onde o seu filho Rodrigo vive, para receber tratamentos. Pondo as obras de ficção de lado, Gabriel decidiu escrever as suas memórias num conjunto de três livros, no qual o primeiro já foi publicado com detalhes da sua vida até ao ano de 1955 com o título “Viver para Contar”, em 2002. O segundo volume irá focar-se sobre a escrita e publicação das suas principais obras, como a “Cem Anos de Solidão".
Esta última obra foi considerada um marco da literatura latino-americana, iniciando o estilo “Realismo Fantástico”. A obra conta a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde a sua fundação até à sétima geração.
Sobre o seu momento de epifania mais tarde escreveu: “All of a sudden -- I don't know why -- I had this illumination on how to write the book.... I had it so completely formed, that right there I could have dictated the first chapter word by word to a typist.”
E sobre a influência da sua avó na obra “Cem Anos de Solidão” e ainda sobre a sua epifania, escreveu: “The tone that I eventually used in One Hundred Years of Solitude was based on the way my grandmother used to tell stories. She told things that sounded supernatural and fantastic, but she told them with complete naturalness.... What was most important was the expression she had on her face. She did not change her expression at all when telling her stories and everyone was surprised. In previous attempts to write, I tried to tell the story without believing in it. I discovered that what I had to do was believe in them myself and write them with the same expression with which my grandmother told them: with a brick face."
A biografia de Gabriel García Márquez, por mim escrita, foi baseada nos textos que se encontram nos seguintes sítios:
Wikipédia em português, Wikipédia em inglês, The Modern Word e na Base de Biografias
A sua bibliografia completa encontra-se no último sítio referido.
. Editoras (atualizado):
. Bertrand
. Bulhosa
. Ésquilo
. Leya
. Leya Bis
. Outras Leituras (atualizado):