Opinião: A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da

Autor: Mark Manson
Editora: Saída de Emergência
Ano de Edição: 2018 (1ª)
Título Original: The Subtle Art of Not Giving a Fuck
Tradução: Fernanda Semedo
Nº Pág.: 200
ISBN: 978-989-8892-01-0
Sinopse:
Durante décadas convenceram-nos de que o pensamento positivo era a chave para uma vida rica e feliz. Mas esses dias chegaram ao fim. Que se f*da o pensamento positivo! Mark Manson acredita que a sociedade está contaminada por grandes doses de treta e de expectativas ilusórias em relação a nós próprios e ao mundo.
Recorrendo a um estilo brutalmente honesto, Manson mostra-nos que o caminho para melhorar a nossa vida requer aprender a lidar com a adversidade. Aconselha-nos a conhecer os nossos limites e a aceitá-los, pois no momento em que reconhecemos os nossos receios, falhas e incertezas, podemos começar a enfrentar as verdades dolorosas e a focar-nos no que realmente importa.
Opinião:
Este é, sem dúvida, um livro de autoajuda diferente. Não sei é se será, necessariamente, no melhor sentido.
O escritor questiona as abordagens típicas que se encontram noutros livros de autoajuda e até argumenta essas crenças, teorias, etc. mas tinha mesmo de se exprimir de forma vulgar? Ser direto, não ter papas na língua não implica ter capítulos ou subcapítulos intitulados de "Valores Merdosos" ou "Que se F*da - A Arte Subtil de Ignorar o que Não Interessa na Vida". Claro que o nome do livro já indicava que este poderia ser o caminho escolhido e dou esse desconto - afinal peguei no livro - mas depois encontram-se tiradas como "Percebemos que nunca vamos descobrir a cura para o cancro, nunca iremos à Lua nem apalparemos as mamas à Jennifer Aniston."
Não sei se a ideia era passar uma imagem cool e atrair um público mais jovem (no entanto, Jennifer Aniston remete-nos à serie Friends dos anos 90...). Mas é por achar que o conteúdo deste livro até seria mais útil, precisamente, na adolescência, que fico mais incomodada com as dezenas de asneiras gratuitas.
Mais útil na adolescência pois acredito que, à medida que os anos vão passando, o ser humano acaba por refletir em todos (ou quase todos) os assuntos abordados no livro, através das experiências de vida que vai tendo.
Posto isto, o escritor vai relatando episódios do seu passado ou mesmo de figuras conhecidas para defender as suas ideias, passando por emoções e temas transversais a qualquer ser humano como a felicidade, o sofrimento, o fracasso, o sucesso e a rejeição.
Por exemplo, o autor recorda o efeito nefasto das redes sociais, onde se partilham as melhores fotos entre as cem que ficaram horríveis, refletindo uma construção irrealista do dia-a-dia tendo, como consequência, a sensação de que o visualizador está a fracassar, vivendo uma realidade sensaborona, monótona e pontuada por desgraças que só a si lhe acontecem.
Pessoalmente, foram apenas as últimas 20 páginas deste livro que resultaram para mim, onde há uma reflexão sobre o compromisso e a morte e como cada uma influencia a forma como vivemos a nossa vida.
(...) a rejeição de alternativas liberta-nos - a rejeição do que não está alinhado com os nossos valores mais importantes, com os padrões que escolhemos, a rejeição da procura constante da vastidão sem profundidade (...) A vastidão da experiência é provavelmente necessária e desejável quando se é jovem - afinal, é preciso sair e descobrir o que parece merecer o nosso investimento. Mas é na profundidade que está enterrado o ouro (...)
Pontuação: 2/10