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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

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Livros na Minha Cabeceira

Os 6 Livros que me Ajudaram a Sobreviver

Sara, 20.06.20

Foram várias as vezes que interrompi minha escrita neste blogue, falta de tempo enquanto estudava foi das principais. É difícil manter uma leitura tão regular quando estudamos mas nunca deixei de ler, por completo. Este bichinho que começou com os livros da colecção "Uma Aventura..." de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, nunca mais me abandonou.

E decidi voltar ao blogue como direito a look mais moderno e tudo

Este irá ser, provavelmente, o post mais pessoal que hei-de escrever neste blogue.

Os livros sempre me fizeram companhia mas eram apenas um entretenimento. Lia quando me apetecia, era uma opção entre outras tantas que eu poderia escolher para preencher algum do meu tempo livre. Retirava prazer das leituras, mais de umas que outras e, no fim, voltavam para a prateleira e a minha relação com a história terminava aí.

No final de 2016 perdi a visão. Voltaria daí a uns 3 meses mas, até lá, quem poderia adivinhar quanto tempo seria assim? Tinha apenas um diagnóstico: Esclerose Múltipla. Os primeiros meses passaram como se nada fosse, a nível emocional, talvez estivesse ainda atordoada com tudo o que estava a mudar. Mas o meu dia-a-dia mudou bastante: tive de engolir a fobia das seringas e olhar para o lado, com o tratamento semanal que me acompnaha desde então e passei horas nos hospitais à espera de mais uma consulta. Penso que foram as horas acumuladas nas salas de espera que me foram acordando para a realidade. Em particular, a sala de espera de neurologia não é a mais fácil de se lidar. À medida que entrava um doente, imaginava se seria assim o meu futuro: primeiro perder a falta de controlo nos membros, depois a cadeira de rodas e tudo o que mais poderia vir daí para a frente...

Enquanto não recuperei a visão, pedia ao meu companheiro que me lesse - Ele não gosta de ler mas fez um esforço enorme por mim. Às tantas, já era ele que me perguntava se eu queria que ele lesse mais um bocadinho. Não sei precisar o que na altura estava a "ler" mas, assim que recuperei a visão, percebi que tinha de me agarrar a algo, para não desmoronar.

Foi quando a minha relação com os livros mudou. Não era apenas mais um prazer ou um momento de tertúlia do meu dia. Eles passaram a dar-me motivos para rir, eles existiam para me tornar mais forte, para sobreviver a todas as horas de salas de espera, a todas as horas de sofrimento, de dor, muita dor. Eram também uma forma de terapia.

Foi através deles que conheci outras histórias reais e ficcionais, que outras pessoas sem o saber, me deram força. Tal como eu, a maioria também tinha sofrido uma reviravolta nas suas vidas. Foi com eles que aprendi como iria sobreviver, o que poderia fazer para me ajudar e como deveria enfrentar cada desafio que surgisse.

 

Deixo-vos a lista dos livros que literalmente me salvaram:

1. Always Lookin Up: The Adventures of as Incurable Optimist, de Michael J. Fox

Michael J. Fox recebeu diagnóstico de Parkinson e tem sido muito ativo na divulgação e apoio nesta área desde então. O livro conta as dificuldades associadas à doença, mas também como reconstruiu a sua vida, todas as peripécias, sempre com muito humor à mistura.

 

2. O Diário de Anne Frank, Anne Frank

Se Anne Frank sobreviveu tanto tempo, escondida, durante a 2ª Guerra Mundial e sempre com tanto optimismo e coragem, mantendo o seu interesse nas leituras e estudos, como poderia eu sucumbir perante um percalço? Anne Frank ensinou-me muito!

 

3. Petit Suicides entre Amis, Arto Paasilinna

Tinha conhecido este autor através de uma recente amizade com Jenni, uma amiga finlandesa que me ajudou muito no início desta jornada. Descobri este livro de Arto Paasilinna que, ironicamente, começa com uma viagem de camioneta com partida em Portugal e destino na Finlandia. Todos os ocupantes têm como meta final o suicídio mas, ao longo da viagem, todos eles vão encontrando razões pelas quais o suicídio deixa de fazer sentido.

 

4.Life Without Limits, Nick Vujicic

Nick Vujicic foi, assim como Anne Frank e Michael J. Fox, um exemplo de coragem e uma força de vida incrível. Nasceu sem membros superiores e inferiores mas, não desistiu. Nick confiou em Deus, confiou que haveria um sentido para a sua vida e tornou-se num orador motivacional. Visitou escolas, universidades, encorajou tanta gente que também tem as suas limitações! Mais, fê-las refletir sobre essas limitações. Serão reais ou impostas por nós, pelos outros ou pela sociedade no geral?

 

5. Razões para Viver, Matt Haig

Este é o melhor livro que li até hoje sobre depressão e ansiedade. Tanto para quem a vive, como para aqueles que vivem junto dos que sofrem e não compreendem bem o que se está a passar ou não sabem como lidar ou como ajudar. Fiquei fã de Matt Haig. Sei que já tem outro livro que quero muito ler "O Mundo à Beira de um Ataque de Nervos"

 

6. O que eu aprendi com E.L.A., Bernardo Pinto Coelho

O Bernardo recebeu um diagnóstico bem mais difícil que a Esclerose Múltipla. A Esclerose Lateral Amiotrófica, também doença neurológica degenerativa, é mais agressiva, mais rápida na sua progressão. Neste livro, Bernardo fala de várias estratégias que foi adoptando com a ajuda do seu pai, médico, e de outros profissionais de saúde. De como, apesar de ter recebido um diagnóstico difícil, a sua vida continuou em frente, rodeado pela família e amigos. Sempre foi um desportista e hoje a sua grande meta é fazer uma corrida na praia do Guincho.

 

SOS Voz Amiga (16-24H): 213544545, 912802669, 963524660

SOS Estudante (20H-01H): 239484020

SOS Adolescente: 800 237327

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