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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

O Conde de Monte Cristo

Sara, 31.07.09

“O jovem sonhador, honesto e também destemido marinheiro Edmond Dantès vê-se injustamente privado da liberdade.

Os planos para se casar com a mulher que ama são destruídos. Traído mesmo pelo seu melhor amigo, o jovem é condenado fraudulentamente a uma dura pena de 13 anos numa horrenda prisão da ilha do Castelo de If.
Ajudado por outro preso, Dantès consegue, no entanto, fugir da prisão e transformar-se num misterioso e riquíssimo Conde de Monte Cristo.
Astuto e cruel, o Conde de Monte Cristo convive com a aristocracia francesa e destrói, um por um, todos os que o traíram e mantiveram preso.”
 
Este livro é um grande clássico, foi escrito por Alexandre Dumas (pai), romancista francês, que escreveu também “Os Três Mosqueteiros” e lançado em 1844.
 
O livro conta a emocionante história de Edmond Dantès desde os seus tempos de marinheiro. Por inveja, Dantès ganha três inimigos que acabam por implicá-lo na traição ao seu rei, Luís XVIII, sendo cúmplice de Napoleão Bonaparte, sendo, por isso, preso durante 13 anos na prisão do Castelo da Ilha If, injustamente.
Mais tarde, quando foge da prisão, toma a identificação do Conde de Monte Cristo e um grandioso tesouro que lhe foi dado por um amigo de cela, o Padre Faria. A partir daqui, assistimos a uma vingança, muito bem estruturada, dos seus três inimigos que, para além de serem responsáveis pela sua injusta prisão, acabam por ser também responsáveis pela morte do seu pai e pela perda da sua noiva, consequentes da sua prisão.
Enquanto li esta aventura, visualizei um exímio jogador de xadrez, ponderando cuidadosamente as suas próximas jogadas, prevendo todos os possíveis movimentos e ataques dos inimigos e antecipando-se a todos eles, ora evitando-os, ora confundindo-os e manipulando-os. Mas não pensem que Dantès se transforma apenas em alguém frio e calculista, ele ajuda também quem ficou do seu lado, quem ajudou os seus amigos e nem sempre tem a certeza se deve ir tão longe na sua vingança!
 
A ilha de Monte-Cristo é uma ilha italiana, situada no Arquipélago Toscano, foi nela que Alexandre Dumas se inspirou para o cenário deste romance.

 

 

Paixão em Florença

Sara, 29.07.09

“Florença. Uma magnífica casa nas colinas serve de cenário para um sonho que, subitamente, se transformará em pesadelo… Nesse refúgio de tranquilidade, as violentas emoções do passado são momentaneamente eclipsadas e Mary Panton pode encarar calmamente as perspectivas do seu segundo casamento com Sir Edgar Swift – que ela admira e respeita, mas não ama.

Um simples acto de compaixão, o desejo de proporcionar alguma beleza à vida atribulada e infeliz de um jovem refugiado, vai no entanto dar início a um pesadelo de violência que destruirá a ténue serenidade de Mary. Intuitivamente, ela vai confiar na ajuda e compreensão de Rowley Flint, um estranho de reputação mais que duvidosa. E compreenderá com ele que rejeitar o amor, mesmo com todos os seus múltiplos riscos, é rejeitar a própria vida.”
 
Cenas da Vida de São Francisco, Domenico Ghirlandaio
 
Este é definitivamente um ano de estreias. Desta vez uma obra, de 1941, de Somerset Maugham, um dos mais famosos romancistas britânicos do século XX. A acção ocorre no final dos anos 30 após o discurso de Hitler na varanda de Laundhaus, em Linz, quando a Alemanha invadiu a Áustria. Já o cenário mais frequente é uma “villa” no cimo de uma colina com vista para as cúpulas e torres de Florença.
 
A leitura revelou-se bastante agradável, um pequeno romance de cerca de 120 páginas, com toques de arte, tão característica de Florença, com suspense muito bem conseguido e, ainda, com uma parte mais introspectiva ao conhecermos Mary, a personagem principal, os seus sentimentos entre três homens bastante diferentes entre si e as suas reacções a um conjunto de acontecimentos surpreendentes que a envolvem ao longo da obra. A escrita de Somerset foi sempre muito cativante e conseguiu fazer sentir-me feliz tal como Mary, quando apreciava a beleza de Florença, pela sua descrição tão pitoresca, que a deslumbrava enquanto tomava chá, pela tarde, no terraço da casa, do século XVI, dos seus amigos Leonards.

 

 

O Rapaz do Pijama às Riscas

Sara, 26.07.09

 

“Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…”
 
O tema desta leitura é bastante complexo já que se desenrola pela altura da Segunda Guerra Mundial e trata do holocausto. A acção começa em Berlim, Alemanha, mas por pouco tempo já que Bruno, a personagem principal, acompanhado pela sua família é forçado a mudar-se para a Polónia, para uma casa praticamente anexa a um campo de concentração. Por ser uma leitura juvenil, o tema não é tratado de forma exaustiva mas não deixa de perturbar o leitor. Aos poucos conhecemos Bruno, a sua irmã, pais e avós, e as diferenças na vida de Bruno antes e depois da mudança. Após a profunda tristeza sentida por Bruno por deixar os seus amigos em Berlim, acaba por fazer um amigo, às escondidas, através da vedação de arame que contorna o campo de concentração. Bruno sente que não pode revelar a sua amizade, que os seus pais não irão aprovar, mas não tem consciência daquilo que se passa à sua volta e do perigo que corre.
 
A história faz-nos pensar sobre todas as vidas massacradas, todas as famílias destruídas pelo maior assassino de sempre, Hitler, e como pode haver, ainda nos dias de hoje, em pleno século XXI, tanto ódio baseado apenas em cor de pele, preferências sexuais, etc.
 
Custou-me bastante chegar ao final do livro, não queria nada que esta leitura acabasse, pelos menos tão cedo. Adorei tudo no livro e aconselho-o, vivamente, para uma leitura de Verão!
 
 
 
Nota: Este livro de John Boyne foi alvo de bastantes críticas, houve uma chamada de atenção quanto à improbabilidade de existir uma criança num campo de concentração já que todos aqueles que não tinham força para trabalhar eram imediatamente mortos, como a possibilidade de existência de um filho de um oficial Nazi, neste caso papel interpretado por Bruno, sem perceber o que se passava à sua volta, pois o cheiro da morte nos campos alcançava quilómetros em torno dos campos e sem saber o que significava a palavra “judeu”.
 
 

O Talentoso Mr. Ripley

Sara, 18.07.09

“Tom Ripley, um jovem desempregado que se dedica a pequenas burlas, é contactado pelo pai de um velho conhecido, que lhe oferece uma viagem a Itália com todas as despesas pagas para tentar convencer o seu filho Dickie a voltar para casa e encarregar-se da empresa familiar. Na Itália, Tom afeiçoa-se a Dickie e conhece uma existência despreocupada e luxuosa a que nunca tinha tido possibilidades de aceder. Quando Dickie começa a suspeitar das boas intenções do seu novo amigo, Tom fica desesperado, chegando a extremos impensáveis para poder manter o acesso àquele estilo de vida.”

 

 
Esta leitura foi bastante divertida, toda a obra está cheia de situações caricatas que são criadas por Tom, a personagem principal. A leitura torna-se portanto muito entusiasmante, pois Tom consegue sempre surpreender-nos com o seu passo seguinte. No início conhecemos Tom como uma personagem que tem controlo sob si própria e toma decisões reflectidas sempre com o dinheiro, o conforto e o sucesso como os seus objectivos principais mas, mais tarde, Tom é causador de uma série de situações perigosas e, a partir de certa altura, cria-se um ambiente de desconfiança e Tom deixa de poder pensar no seu passo seguinte com alguma antecedência, vê-se pressionado a agir depressa. O que será que Tom está disposto a fazer para atingir os seus objectivos e conseguirá, depois, Tom dar a volta às situações que teimam vir ao de cima?
 
“O Talentoso Mr. Ripley” é uma obra de Patricia Highsmith entre uma série de livros dedicados a Tom Ripley, sendo este precisamente o primeiro deles. Em 1999, este romance policial foi adaptado ao cinema com Matt Damon como Tom Ripley, Jude Law no papel de Dickie e Gwyneth Paltrow como Marge Sherwood, que se apaixona por Dickie e tenta protegê-lo de Tom, de quem desconfia desde o primeiro instante.
 
Eu ainda não vi o filme mas é dos próximos a ver, sem dúvida!
 
Adoro ler o livro, imaginar as personagens e os cenários e depois ver o filme. É sempre engraçado descobrir as parecenças e contrastes com aquilo que tínhamos imaginado!
 
 

Mr. Pip

Sara, 17.07.09

 

 

“Bougainville, 1990, guerra civil. Logo após o início do conflito, quando os soldados chegam à aldeia na ilha tropical onde Matilda vive, apenas um branco decidiu ficar. Mr. Watts usa um nariz vermelho de palhaço e empurra um carrinho onde transporta a sua mulher. As crianças chamam-lhe Pop Eye. Mas ninguém mais existe para ensinar os meninos da ilha. Todos partiram devido à guerra. Mr. Watts começa então a ler à turma um velho exemplar de Grandes Esperanças, do seu amigo Charles Dickens. As crianças ficam deslumbradas.
Em breve, o herói de Charles Dickens, Mr. Pip, ganha vida própria para Matilda, que desenha o seu nome na areia, decorando-o com conchas. Pip torna-se tão real para ela como a sua própria mãe e a maior amizade de toda a sua vida começa.
Porém, não é apenas Matilda que acredita em Pip. E, numa ilha em guerra, o poder da imaginação tornar-se-á algo de perigosamente provocatório.”
 
Esta obra foi a primeira que li de Lloyd Jones e revelou-se uma leitura muito interessante. A história, para além de nos contar o dia-a-dia de uma ilha em plena guerra civil, relata também as dificuldades pelas quais todos passam aos olhos de uma menina, a Matilda. Ao conhecer a obra de Dickens, “Grandes Esperanças”, Matilda faz de Pip, a personagem principal dessa obra, o seu melhor amigo. E Pip torna-se real não só aos olhos de Matilda mas também, mais tarde, aos olhos dos mais cépticos. O ponto forte desta leitura, para mim, foi o relembrar de como uma obra pode representar uma viagem, mostrar-nos lugares diferentes, pessoas diferentes e costumes diferentes, pois foi mesmo isso que sucedeu a Matilda ao longo de toda a história. No meio da guerra, foi um livro que fez com que tudo fosse possível de suportar. Toda a história é muito envolvente, assim como os personagens que nela habitam com ênfase para Matilda e o seu professor, Mr. Watts. O desenrolar, esse é chocante!
 
Na contracapa diz “Um livro belo como a esperança, duro como todas as guerras”. E eu subscrevo inteiramente! 
 

Kafka no Teatro

Sara, 12.07.09

Desta vez somos levados por Kafka ao teatro. A peça que está em exibição é “O Processo”, adaptada da obra de Kafka. A obra conta a história de Josef K., personagem principal, que, no dia em que celebra os seus 30 anos, acorda e é preso por dois agentes não identificados, sendo depois sujeito a um exaustivo processo por um crime não revelado e que o próprio desconhece.

 
 
Kafka nasceu a 3 de Julho de 1883 em Praga, capital da República Checa, no seio de uma família judia. Kafka queria estudar Filosofia mas foi impedido pelo pai, e mais tarde, licenciou-se em Direito. Para além de “O Processo”, Kafka é autor de outras duas obras muito conhecidas, “A Metamorfose”, que conta a história de um homem que acorda transformado no insecto e “O Castelo”, onde conta a história de um agrimensor, contratado por um conde para prestar os seus serviços mas que nunca consegue entrar no castelo. No entanto, nunca atingiu a fama enquanto esteve vivo e pediu mesmo a um grande amigo seu, Max Brod, que destruísse todas as suas obras aquando da sua morte. Faleceu em Praga a 3 de Junho de 1924.
 
A peça está em exibição até dia 31 de Julho no Gota Teatro Oficina, em Lisboa, tem duração de 100 minutos e é para maiores de 16 anos.
O primeiro capítulo da obra pode ser lido aqui!
 
Mais uma peça a não perder!