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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

Drácula numa leitura conjunta!

Sara, 30.06.09

Hoje venho fazer publicidade.
 
Para quem gosta de ler fica a sugestão de uma visita ao fórum Estante de Livros e a inscrição na leitura em conjunto que se iniciou no domingo passado. É a 4ª organizada pelo fórum e neste momento tem 18 inscritos. A obra escolhida foi “Drácula” de Bram Stoker, dividida em quatro partes e que será lida ao longo de um mês. No final de cada semana, realiza-se uma discussão de cada parte do livro.
Há muito tempo que queria participar numa leitura conjunta e de certeza que existem mais pessoas que irão achar interessante!
 
Numa onda de publicidade, sugiro também um blog que sigo atentamente, os livros!
 
E boas leituras!
 
 

A Criança Que Não Queria Falar

Sara, 29.06.09

“Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história que, para lá da inspiração que poderá oferecer a todos os educadores que se ocupem de crianças com problemas, transcende o âmbito de um mero <<caso>>, mostrando-nos que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inabordável. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, que costuma ficar com as crianças que desafiam qualquer classificação e por isso não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação tocante, que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança tão solitária poder desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria.”

 
A turma que nos é apresentada é composta, inicialmente, por oito alunos: Peter de oito anos (com atraso mental e comportamento violento) Tyler de oito anos (tentou suicidar-se duas vezes), Max de seis anos (autista), Freddie de sete anos (obeso e com atraso mental), Sarah de sete anos (vítima de abuso físico e sexual), Susannah de seis anos (esquizofrénica), William de nove anos (compulsivo-obsessivo) e Guillermo de nove anos (cego com comportamento agressivo). Mais tarde, juntou-se à turma a Sheila, expulsa da antiga escola e condenada ao hospital psiquiátrico pelo tribunal por ter atado a uma árvore uma criança de três anos e ter-lhe pegado fogo. Sheila permaneceria na turma enquanto não houvesse vaga no hospital.
 
Qualquer estabilidade atingida num dia de aula era instável, isto é, bastava um incidente banal para que o caos regressasse à sala de aula. E, com a chegada de Sheila à turma, foi algo que começou a acontecer muito frequentemente.
Um dos acontecimentos que mais me chocou, na escola, foi quando, à hora do almoço, num acesso de ira, Sheila retirou vários peixes de um aquário, um a um, espetou-lhes um lápis nos olhos, esvaziando as órbitas e deitando depois os peixes ao chão que foram, posteriormente, várias vezes pisados e esmagados no caos que, entretanto, se criou entre as crianças e funcionários que assistiam ao cenário aterrador.
 
Adorei esta leitura, provocou-me várias vezes o riso e algumas vezes uma lágrima que permanecia no canto do olho. As crianças, já por si, fascinam-me sempre pela forma como se expressam, de uma forma tão simples mas que, ao mesmo tempo, contém as palavras certas, que muitas vezes me faltam. Ao longo do livro existem várias referências a “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry, a história preferida de Sheila, a qual pedia várias vezes à professora que lhe lesse em voz alta. A razão pela qual tinha esta preferência, não vou revelar!
 
É uma leitura diferente mas acho que vale bem a pena. No fundo fala de coisas pelas quais, mais tarde ou mais cedo, todos nós passamos como a importância das amizades, a confiança que depositamos nas pessoas, a ansiedade, o medo, a desilusão.
E é preciso algum sangue frio numa parte da leitura - não vou desvendar o que acontece – onde alguém sofre um crime bastante violento – lembrem-se que a história é, ainda por cima, verídica - esvai-se em sangue e é levado de emergência para o hospital, onde é sujeito a cirurgia. Para além da situação ser monstruosa, são dados alguns detalhes do sucedido.
 
Esta história verídica tem continuação na obra “A menina que nunca chorava”.

O Estrangeiro

Sara, 23.06.09

Este livro foi-me emprestado por uma vizinha e desta vez, ao contrário da sinopse, conheci um resumo da obra por ela própria, que a contava deliciada, logo percebi que era uma obra que eu não podia perder. Para vocês, aqui fica parte de uma opinião sobre o livro, que consta no mesmo:

 

“… o herói do livro é condenado porque não segue as regras do jogo. É um estrangeiro na própria sociedade onde vive, vagueia de forma marginal pela periferia da vida privada, solitária e sensual. (…) poderemos ficar com uma ideia mais exacta da personagem, mais ajustada, de todos os modos, às intenções do autor, se nos perguntarmos em que é que Meursault não segue as regras do jogo. A resposta é bem simples: nega-se a mentir. Mentir não é só dizer aquilo que não é. É também, e sobretudo, dizer mais do que aquilo que é e, no que diz respeito ao coração humano, dizer mais do que se sente. É por isso que fazemos todos, todos os dias, para simplificar a nossa vida. Meursault, contra as aparências, não quer simplificar a sua vida. Diz o que pensa, resiste a esconder os seus sentimentos e, ao fazê-lo, a sociedade sente-se ameaçada.”

 
Esta foi a primeira obra que li de Albert Camus e achei-a fascinante. Albert Camus tem um estilo muito próprio e toda a escrita é simples e precisa. Meursault, a personagem principal, será com toda a certeza a personagem mais sincera que alguma vez iremos conhecer, nem usa a mentira para se defender em tribunal quando é condenado, o que por vezes se torna um pouco absurdo - parece que, por um lado, não tem noção daquilo que está em jogo, que lhe importa apenas o momento presente, por outro é, ao mesmo tempo, uma personagem bastante inteligente.
 
Existe, praticamente, em cada folha do livro que viramos, algo que nos faz reflectir. Afinal, estamos tão habituados a pequenas mentiras, invenções ou omissões no dia-a-dia que Meursault parece que cai mesmo no ridículo. Virei, várias vezes, a página com esperança que ele se apercebesse que tinha mesmo de moderar a sua sinceridade. Mas afinal quem estaria a ser ridículo? Ele ou eu? Não pedimos tantas vezes a sinceridade de alguém? A sinceridade numa resposta ou numa opinião?
A obra “O Estrangeiro” mostra como a sinceridade não vinga na sociedade e que até podemos arranjar sarilhos, e bem complicados, se a usarmos na sua totalidade. Para além disso, é uma obra que se insere no movimento “a estética do absurdo” e no existencialismo, onde importa apenas viver e onde a morte é um acontecimento e consequência natural de estarmos vivos.
 
Ficam aqui dois excertos do livro que mostram os estilos enunciados, respectivamente:
 
“Foi neste momento que rebentou a discussão em casa do Raimundo. Ouviu-se primeiro uma voz estridente de mulher e depois a de Raimundo, dizendo: <<Enganaste-me, enganaste-me. Agora é que te vou ensinar…>>. Uns ruídos surdos e a mulher pôs-se a berrar, mas de uma maneira tão horrível que o átrio se encheu de gente. A mulher continuava a gritar e o Raimundo continuava a bater-lhe. Maria disse-me que era terrível e eu não respondi-lhe. Pediu-me que fosse chamar um polícia, mas eu respondi-lhe que não gostava dos polícias.”
 
“Nos primeiros dias de asilo, chorava muitas vezes. Mas era por causa do hábito. Ao fim de alguns meses, choraria se a tirassem do asilo, ainda devido ao hábito. Foi um pouco por isto que, no último ano, quase não a fui visitar. E também porque a visita me tomava o domingo – sem contar o esforço para ir até ao autocarro, comprar os bilhetes e fazer duas horas de viagem.”
 
É impossível ficar indiferente a Meursault durante toda a história, seja a favor dele, pela sua sinceridade, seja contra ele, por parecer tão frio e racional.
 
 

 

Albert Camus - a biografia

Sara, 21.06.09

Albert Camus foi um escritor francês, filósofo e jornalista, e o primeiro escritor nascido em África a ganhar o prémio Nobel de Literatura, em 1957. É também, até hoje, o laureado com a mais curta vida. A sua escrita é associada ao existencialismo mas numa entrevista, em 1945, Camus recusou qualquer associação ideológica.

 
 
Albert Camus nasceu a 7 de Novembro de 1913, em Dréan (na altura, Mondovi), na Argélia, filho de um pai francês, Lucien, e uma mãe descendente espanhola, Catherine Hélène.
Infelizmente, Camus não conheceu o seu pai pois este morreu em 1914, na Batalha do Marne, batalha da Primeira Guerra Mundial, que durou sete dias com uma vitória franco-britânica sobre a Alemanha, um dos momentos decisivos da Grande Guerra. Após a morte de seu pai, a sua mãe levou consigo os seus dois filhos para casa da avó materna que se situava no bairro operário de Belcourt, na capital, Argel, onde anos mais tarde, ocorreu um massacre de árabes durante a guerra de descolonização da Argélia.
Para além da Camus, da sua mãe e avó materna, na casa morava também o seu irmão mais velho e um tio, tanoeiro de profissão (fabricava barris, pipas e tonéis para o transporte e conserva do vinho). Camus era para ter seguido a profissão de seu tio mas a sua professora primária, M. Germain, viu nele um futuro promissor e contra a vontade da família, pois eram pobres e precisavam que ele trouxesse dinheiro para casa, lá conseguiu que ele continuasse os seus estudos no liceu. O próprio Camus gostava do ambiente onde o seu tio trabalhava e tinha sobre si o peso de que a sua família precisava da sua ajuda. Durante o secundário, Camus quase desistiu dos estudos quando, mais uma vez, um professor seu, Jean Grenier, o encorajou para que continuasse e se graduasse em Filosofia. A sua obra “O Homem Revoltado” é dedicado a ele.
 
Quando completou o doutoramento e estava, finalmente, apto a leccionar, sofreu uma forte crise de tuberculose, deixando-o perto da morte. Para além da Natureza, Camus adorava jogar futebol e era, inclusive, o melhor avançado da selecção universitária mas com a evolução da tuberculose, que contraiu em 1930, foi obrigado a abandonar o desporto. No entanto, nunca deixou de ser um grande adepto e uma das primeiras coisas que pediu quando foi ao Brasil foi assistir a uma partida de futebol.
 
Em 1934, casou com Simone Hie mas cedo o casamento terminou devido às infidelidades de ambas as partes e ao vício de morfina de que Simone sofria. Uns anos mais tarde, casou com Francine Faure, pianista e matemática, e com ela teve dois gémeos, Catherine e Jean. Mesmo assim, continuou a ser infiel e a sua amante oficial era Maria Casares, uma reconhecida actriz francesa.
 
Em 1939, mudou-se para França e, como entretanto deu-se a invasão alemã, a sua mulher e os seus filhos não puderam ir ter com ele e ficaram na Argélia assim como ele teve de permanecer em França, durante os primeiros tempos de ocupação nazi. Esta mudança foi forçada pelas autoridades francesas depois de Camus ter publicado uma série de ensaios onde contava que os franceses proibiam o atendimento médico aos árabes e deixavam-nos mesmo morrer à fome, incluindo as crianças, pois estes não eram considerados cidadãos franceses e eram subjugados a um governo no qual não podiam votar.
 
Primeiro ficou em Paris e trabalhava para um jornal mas depois, devido à censura e vigilância constante por parte dos nazis, mudou-se para Bordeaux, no sudoeste de França, onde começou a participar no Núcleo de Resistência, tornando-se um dos editores do jornal clandestino Combat e passou a ser conhecido por “Beauchard”, o seu nome de guerra.
As obras “O Avesso e o Direito” e “Bodas em Tipasa” foram publicadas quando ainda residia na Argélia e em Bordeaux, para além da sua ocupação em alguns jornais, dedicou-se a outra sua paixão, o Teatro.
 
Em 1942, apresentou-se a Sartre devido à sua obra “O Estrangeiro” sobre a qual Sartre elogiou e disse que gostaria de conhecer o autor, tornaram-se bons amigos até 1952, data em que foi publicada a obra “O Homem Revoltado”, uma análise filosófica sobre a rebeldia e revolução que revelou a sua rejeição ao comunismo, do qual fez parte em Algéria e do qual foi expulso por se acreditar, erradamente, que era um seguidor de Leon Trotsky. A obra “O Homem Revoltado” aborreceu muitos dos seus colegas e provocou um desentendimento público e o fim da amizade entre Camus e Satre.
 
Em 1957 foi reconhecido pelo prémio Nobel de Literatura, não pelo seu romance publicado no ano anterior “A Queda” mas sim pelos seus escritos publicados contra a pena de morte. Numa palestra que deu na Universidade de Estocolmo referiu que apenas se tinha mantido à parte na questão da pena de morte na Algéria com medo do que pudessem fazer à sua mãe, que vivia nesse país.
 
Albert Camus morreu a 4 de Janeiro de 1960, em Villeblevin, vítima de um acidente de automóvel. Consigo estava o manuscrito de “O Primeiro Homem”, um romance autobiográfico e, ironicamente, numa das suas notas, uma informação de que o romance deveria terminar inacabado. Por coincidência, a sua mãe faleceu no mesmo ano que seu filho, Camus.
 
Camus não era para ter feito a viagem de carro para Paris mas sim de comboio e tinha até já comprado a sua passagem com o seu amigo poeta, René Char, mas por insistência de uma família sua amiga que ia também para Paris no mesmo dia, acabou por ir de carro com eles. O condutor, Michel Galliardi, seu amigo e editor das suas obras também morreu nesse acidente. René Char que foi também convidado, recusou para não lotar o carro. O relógio do painel do carro, que foi de encontro a uma árvore, parou no instante do acidente, indicando assim a hora de morte de Albert Camus: 13h55.
Albert Camus encontra-se enterrado no Cemitério Lourmarin em Vaucluse, em França.
Os direitos de autor encontram-se hoje possuídos pelos seus dois filhos.
 
Considera-se que a obra de Albert Camus encontra-se no movimento “a estética do absurdo”, realização de que a vida não tem sentido, tendo explicado esta ideia na sua obra “O Mito de Sísifo”. Os seus livros testemunham as angústias do contexto da sua vida, tal como o fizeram Kafka e Dostoiévski. Este movimento heterogéneo abrange arte, teatro, literatura e filosofia. Samuel Beckett e Eugène Ionesco são outros dois ilustres filiados deste movimento.
 
A biografia de Albert Camus foi baseada nos textos dos seguintes sítios, onde se encontra também disponível a sua bibliografia:
 

Sem Sangue

Sara, 18.06.09

Após concluir a minha última leitura não sabia bem que livro escolher. Queria algo diferente, mesmo em género literário, para fazer um “corte”. Tenho necessidade disso. Nunca leio dois livros do mesmo autor de seguida mas quando compro livros acabo por escolher, quase sempre, dentro do mesmo estilo. A tarefa ontem estava a ser complicada.

Lembrei-me dos livros que tinha obtido numa das colecções da revista Sábado. Adoro este tipo de colecções, seja de que revista for, porque para além de obtermos livros a preços excepcionais, acabamos por conhecer vários escritores que de outra forma, provavelmente, não nos chegaria às mãos.
 
Escolhi então “Sem Sangue” de Alessandro Baricco, que pela sinopse prometia algo de muito diferente em relação a tudo o que já li até hoje.
 
“Quando os seus inimigos finalmente o encontram, Manuel Roca obriga Nina, a sua filha pequena, a meter-se num esconderijo debaixo de um alçapão na despensa, a partir do qual testemunhará o assassinato do seu pai e do seu irmão. Após a matança, Tito, um dos assassinos, encontra o esconderijo de Nina, mas, apiedado da inocência da criança, não diz nada aos seus cúmplices. Décadas mais tarde, Nina é uma intrigante mulher que passeia pela rua quando encontra um já idoso Tito a vender lotaria. Este encontro revelará até que ponto a traumática experiência da sua infância marcou ambas as personagens, e se serão alguma vez capazes de a superar”
 
Sempre tive inveja das pessoas que contam que depois de pegarem num livro tiveram de o ler até ao fim, mesmo que isso implicasse as horas de sono. Claro que já li obras que me roubaram umas horas à noite mas nunca senti essa necessidade de ter de terminar o livro de uma vez, na ânsia de descobrir toda a história.
 
Agora posso dar-me por feliz – aconteceu!
 
A obra revelou-se num thriller, que se divide em duas partes, começando pelo assassínio do pai e irmão de Nina, com uma descrição de como tudo se processou. A chegada dos assassinos, a estratégia de Manuel Roca para defender a sua família quando os viu chegar, as rajadas de metralhadoras de cortar o fôlego e a entrada deles na casa de Manuel.
 
Não é, no entanto, uma simples história sobre um assalto. Os assassinos tinham sede de vingança, vinham ajustar contas por um passado bem recente e acreditavam mesmo que a morte de Manuel era necessária para um mundo melhor, como Tito justificou: “não se pode semear sem antes lavrar primeiro”.
 
Na segunda parte, dá-se o encontro entre Tito e Nina e a história torna-se ainda mais interessante, sendo Tito a revelar toda a vida de Nina, que nunca perdeu de vista. O que acontece neste encontro, o que é revelado, torna-se tão empolgante que foi impossível deixar o livro para terminar em outro dia! O fim… bem o fim também foi bastante perturbante!
 
A não perder!
 
 

A Revoada

Sara, 17.06.09

“A Revoada conta-nos a história de uma população que se une para impedir o enterro de um estranho personagem. Um antigo médico, odiado pelo povo, morre, e um velho coronel na reforma, para cumprir uma promessa, empenha-se em enterrá-lo, apesar da oposição de todo o povoado e das suas autoridades.

Como numa tragédia grega, o velho coronel, com a ajuda da filha e do neto, tentará cumprir a funesta tarefa. Através dos pensamentos destas três personagens é narrada a acção, composta pela descrição dos preparativos para o enterro e por recordações de um quarto de século da história de Macondo, de 1905 a 1928, e do ódio nela acumulado.”
 
 Guajiros, óleo/canvas, 2007, de Oscar Suarez Garcia
 
Segundo a minha interpretação, esta obra foca, principalmente, a importância de conhecermos os dois lados de qualquer história e evitar tirarmos conclusões precipitadas.
 
A obra inicia-se com uma cena dramática - a morte do médico - e desenrola-se num único local, onde este faleceu. Apesar da povoação vê-lo como a encarnação do diabo e querer deixá-lo insepulto, esta mesma povoação já tinha recorrido a ele, frequentemente, como pacientes. Portanto, ao longo da obra observamos o estranho desenrolar da vida do médico, pelos três diferentes narradores. Um deles terá a resposta para todo este mistério e o ponto de vista mais aproximado sobre aquilo que verdadeiramente se passou.
 
Esta obra é bem diferente das últimas que tenho lido. A escrita é mais rica, existem várias analepses e o narrador alterna entre três personagens diferentes e nem sempre nos apercebemos, logo no início da transição, para que personagem se alterou, o que implica maior atenção. Já tinha lido outra obra deste escritor, “Crónica de uma Morte Anunciada”, por isso a escrita não é nova para mim e esta obra veio só confirmar mais uma preferência minha e mais livros a ler!
 
 

Mia Couto no Teatro

Sara, 09.06.09

Um dos livros que comprei na última Feira do Livro foi “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, de Mia Couto. Nunca li nenhuma obra deste escritor mas achei a capa única e a sinopse, na contracapa, muito interessante.

 

A obra fala de um jovem médico português que vai para Moçambique atrás de Deolinda, moçambicana por quem se apaixonou num congresso médico em Lisboa, e o que resulta do seu desencontro: os segredos e mistérios, da Vila Cacimba, que se vão revelando.

 

Este post não vem, portanto, nem a propósito do escritor, nem das suas obras, as quais ainda não conheço. Descobri, na Agenda Cultural de Lisboa, que estreia hoje mesmo uma peça de teatro no Instituto Franco Português, “Chuva Pasmada”, inspirada na obra de Mia Couto com o mesmo nome. A peça vai estar em palco até dia 31 de Julho e a entrada é de 5 ou 10€.

 

“Chuva Pasmada” é uma peça sobre as relações familiares e o papel dos mitos e lendas quando a chuva, de repente, desiste de cair. Com a chuva suspensa, a vida de todos altera-se e cada um reage consoante as suas crenças: a tia reza, a mãe culpa os fumos da nova fábrica, o pai fala com o rio que também está a secar, o avô sonha em conhecer o mar e o protagonista da peça observa o mundo que se vai revelando à sua volta.

 

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto, nasceu a 5 de Julho de 1955 na Beira, em Moçambique, e é filho de emigrantes portugueses. Foi estudante de Medicina em Maputo e membro da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Após o 25 de Abril interrompeu os estudos para trabalhar como jornalista. Mais tarde ingressou, outra vez, na universidade e licenciou-se em Biologia. O seu primeiro livro é de poesia e chama-se “Raiz de Orvalho” tendo sido publicado em 1983. Mais tarde escreveu o seu primeiro romance “Terra Sonâmbula” e em 2001 recebeu, em Portugal, na Fundação Calouste Gulbenkian o Prémio Literário Mário António, prémio que é atribuído a escritores africanos lusófonos ou escritores timorenses, de três em três anos, pela sua obra “O Último Voo do Flamingo”.

 

E fica aqui uma sugestão alternativa às nossas leituras!

Sangue Fresco - Morte até ao Anoitecer

Sara, 08.06.09

“Morte até ao Anoitecer” é a primeira obra da série de livros “Sangue Fresco” da escritora Charlaine Harris, livro este que inspirou a série televisiva “True Blood” da HBO.

 

 

“Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano... Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É sossegada, tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita – porque é – mas acontece que Sookie tem um certo “problema”: consegue ler os pensamentos dos outros... Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro... e é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra de Louisiana. Aos poucos... descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?”

 

Nesta obra, Sookie, a personagem principal, ouve os pensamentos das pessoas. O que no início podia parecer um poder especial é, na realidade, um pesadelo no seu dia-a-dia. Acabou por deixar os estudos devido à falta de concentração que este poder lhe causava e, mesmo no café, onde trabalha, as horas de refeições podem ser verdadeiros pesadelos. Se conhece alguém interessante, rapidamente, numa conversa, ouve as intenções sexuais deste. É por esta razão que Bill se torna logo irresistível, e, pela primeira vez, o romance torna-se possível na sua vida.

 

No entanto, o poder que faz com que as pessoas a olhem de uma forma estranha e a julguem maluca é o mesmo poder que leva as pessoas a pedir-lhe ajuda, mais tarde, para investigar as tragédias que vão surgindo na sua terra.

 

A leitura, no geral, é muito simples e corrida tornando-se, no meu ponto de vista, aborrecida. Tem, no entanto, os seus pontos bastante interessantes que passam pela apresentação dos comportamentos sociais e sexuais dos vampiros, pelo romance entre Sookie e Bill e pelos assassínios que vão ocorrendo. Para além dos vampiros, a escritora apresenta também, nesta obra, os metamorfos, pessoas que, nas noites de lua cheia, se transformam no último animal que tiverem visto. Os metamorfos também conseguem transformar-se noutras alturas mas é um processo mais difícil e demorado pois não é espontâneo como nas noites de lua cheia.

 

 

Os fãs podem sempre espreitar o blog da série, aqui!