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Às 23h

Livros na Minha Cabeceira

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Gabriel García Márquez - a biografia.

Sara, 26.05.09

Gabriel García Márquez recebeu o Nobel de Literatura em 1982 por se considerar que “produziu, através do campo literário, o mais magnífico trabalho numa direcção ideal”. Este seu trabalho inclui obras como a tão conhecida “Cem Anos de Solidão”. Para além de escritor e criador do estilo “Realismo Fantástico”, é jornalista, editor e activista político.

 

Conhecido por Gabito, nasceu a 6 de Março de 1927, em Aracataca, onde os seus pais possuíam uma farmácia homeopática. Por razões monetárias, foram os avós maternos que cuidaram de Gabriel e só após a morte do seu avô e a crescente cegueira da avó, foi viver com os seus pais que, até ao momento, mal conhecia.

Enquanto criança, vivia encantado com os relatos da Guerra Civil e com as histórias de fantasmas e de premonições que o seu avô materno, veterano da Guerra dos Mil Dias, e a sua avó materna lhe contavam, respectivamente. Do seu avô herdou a visão política e de sua avó a magia e a superstição que, mais tarde, influenciaram as suas obras como acontece com nas personagens em “Cem Anos de Solidão”. A obra “O Amor em Tempos de Cólera”, publicado em 1986, é quase uma adaptação do complicado romance que os seus pais tiveram dado que o seu avô materno queria para sua filha outro tipo de homem e até tentou, por várias vezes, afastá-los. No entanto, acabou por aceitá-lo devido à convicção que o pretendente tinha por sua filha.

A sua paixão por livros continuou durante a sua adolescência e leu obras que iam desde “As Mil e Uma Noites” a “Metamorfose” de Frank Kafka. Este último teve uma importância extrema por lhe revelar a infinitude de personagens possíveis de criar e por lhe lembrar as histórias que a sua avó lhe contava.

Na escola, era conhecido como um rapaz tímido, sério e sem qualquer jeito para os desportos, características que alimentaram a sua alcunha de “Old Man” dada pelos seus colegas. Foi um excelente aluno e ganhou, por isso, uma bolsa de estudos para uma escola secundária onde estudavam apenas alunos brilhantes. Mais tarde, em 1947, por desejo de seus pais, ingressou na Universidade Nacional da Colômbia em Direito e Ciências Políticas, em vez de Jornalismo como gostaria, acabando por abandonar os estudos em 1950. Foi ainda durante os tempos de universidade que escreveu a sua primeira ficção que foi publicada no jornal El Espectador que lhe publicou mais dez histórias nos anos seguintes.

Durante umas pequenas férias que fez com os seus pais, entre o liceu e a universidade, conheceu a sua futura mulher, que na altura tinha apenas 13 anos, por quem logo se apaixonou e pediu em casamento. Mercedes na altura recusou porque queria primeiro completar os seus estudos e combinaram que só se casariam daí a 14 anos.

Após a sua experiência no jornal El Espectador, começou a trabalhar como jornalista para o jornal El Universal, onde assinava uma coluna diária. Entretanto, começou também a participar num círculo de literatura conhecido por “El grupo de Barranquilla” que influenciaram as suas leituras para escritores como Hemingway, Joyce, Woolf e Faulkner. Nesta altura, conheceu também Sophocles. Estes últimos dois escritores foram grandes influências nas suas obras entre os seus 40 e 50 anos, na construção, por exemplo, de Macondo (“banana” na língua Bantu), a mágica povoação, inspirada numa plantação de bananas onde em criança brincava, que apresenta pela primeira vez em “A Revoada”, o seu primeiro romance, publicado em 1955 e rejeitado em 1952, e da importância social e política das suas personagens.

Foi no El Espectador que contou a controversa e verídica história de um naufrágio, “Relato de um náufrago”. Esta obra conta a história verídica do naufrágio do “Caldas” tendo como único sobrevivente Velasco que foi tornado um herói nacional e usado em propaganda pelo Governo. No entanto, estavam, na realidade, a transportar carga ilegal e o naufrágio apenas se deu por negligência e incompetência da tripulação, relato directamente contado por Velasco a Gabriel. Com receio que fosse perseguido pela publicação de Gabriel, os editores de El Espectador enviaram-no para Itália para realizar a cobertura do provável falecimento do Papa Piu XII. Como acabou por não se suceder nessa altura, viajou durante uns tempos pela Europa como correspondente.

Em 1958casou-se finalmente com Mercedes, na Colombia, e viveram ambos em Caracas até ao ano seguinte marcado pelo nascimento do seu primeiro filho, Rodrigo (actual realizador). Em 1959, mudaram-se para Nova Iorque, mudança esta que durou apenas um ano devido às constantes ameaças de morte que recebia. De Nova Iorque foram para o México, onde publicou “Ninguém Escreve ao Coronel” e onde nasceu o seu segundo filho, Gonzalo.

A sua epifania ocorreu em Janeiro de 1965 enquanto conduzia, acompanhado pela sua família, num passeio a Acapulco. Nesse mesmo momento virou o volante e regressaram a casa. Enfiou-se num quarto e  escreveu todos os dias durante 18 meses. Venderam o carro e penhoraram o recheio da casa para terem dinheiro para comer, comprar papel e cigarros para Gabriel. Viveram, durante esse tempo, de empréstimos, créditos e ajuda de toda a comunidade que sentiu que algo de extraordinário estava a ser criado. Por último, escreveu o título da obra, “Cem Anos de Solidão” e saiu, finalmente, do quarto, exausto e praticamente envenenado por nicotina. A obra foi publicada em 1967 e em todas as semanas esgotavam as cópias feitas. Gabriel foi finalmente conhecido a nível mundial, com os seus 39 anos.

Em 1981, quando voltava à Colombia duma visita que fez ao seu amigo Fidal Castro, foi acusado de financiar um grupo de guerrilhas e pediu exílio no México. Rapidamente se arrependeram das acusações que lhe fizeram e convidaram-no a visitar Colômbia quando recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1982 que o distinguiu pelas suas obras de ficção ou não ficção, as suas novelas e histórias curtas.

Em 1999, foi-lhe diagnosticado um cancro linfático que hoje ainda o combate e que o faz viajar muitas vezes até Los Angeles, onde o seu filho Rodrigo vive, para receber tratamentos. Pondo as obras de ficção de lado, Gabriel decidiu escrever as suas memórias num conjunto de três livros, no qual o primeiro já foi publicado com detalhes da sua vida até ao ano de 1955 com o título “Viver para Contar”, em 2002. O segundo volume irá focar-se sobre a escrita e publicação das suas principais obras, como a “Cem Anos de Solidão".

 

Esta última obra foi considerada um marco da literatura latino-americana, iniciando o estilo “Realismo Fantástico”. A obra conta a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde a sua fundação até à sétima geração.

Sobre o seu momento de epifania mais tarde escreveu: “All of a sudden -- I don't know why -- I had this illumination on how to write the book.... I had it so completely formed, that right there I could have dictated the first chapter word by word to a typist.”

E sobre a influência da sua avó na obra “Cem Anos de Solidão” e ainda sobre a sua epifania, escreveu: “The tone that I eventually used in One Hundred Years of Solitude was based on the way my grandmother used to tell stories. She told things that sounded supernatural and fantastic, but she told them with complete naturalness.... What was most important was the expression she had on her face. She did not change her expression at all when telling her stories and everyone was surprised. In previous attempts to write, I tried to tell the story without believing in it. I discovered that what I had to do was believe in them myself and write them with the same expression with which my grandmother told them: with a brick face."

 

A biografia de Gabriel García Márquez, por mim escrita, foi baseada nos textos que se encontram nos seguintes sítios:

Wikipédia em português, Wikipédia em inglês, The Modern Word e na Base de Biografias

A sua bibliografia completa encontra-se no último sítio referido.

Anjos e Demónios

Sara, 19.05.09

Nunca li nenhuma obra de Dan Brown. Há cerca de 4 anos lembro-me de todos os meus amigos terem lido o Código da Vinci ou pelo menos falavam como tal. Eu não sou muito de modas, normalmente deixo a loucura passar e depois, ai sim, se a curiosidade se mantiver, descobrir o que causou tanto furor.

 

Então, há uns 4 meses vi, finalmente, o Código da Vinci. Lembro-me perfeitamente de colocar o dvd no leitor e pensar “Vamos lá ver porque é que este filme causou tanta sensação...”. Vi, deixei-me levar e gostei mas fiquei com vontade de o ver outra vez, de uma forma mais crítica. Mas não cheguei a fazê-lo.

 

 

Ontem fui ver o “Anjos e Demónios” e esperava por uma sala cheia. Estávamos apenas quatro. Fui com grande expectativa e a meio do filme só conseguia pensar e, por vezes, até expressar sentimentos começados por “Que disparate...”. Saí da sala a pensar que o filme no seu contexto histórico era muito interessante e que o romance criado também mas já a parte da acção... só para rir... Cenas como uma explosão que destrói tudo à volta, faz pessoas voar e ao mesmo tempo aparece um homem no céu lançado dum helicóptero a uma altitude que não me parece muito credível e de pára-quedas aberto, intacto, e chega ao solo e ainda anda pelo seu pé. Só para inglês ver. E como esta cena, existem muitas mais.

 

Para meu grande desapontamento, quando cheguei a casa pesquisei sobre os Illuminati, uma das sociedades secretas de pensadores e ainda consegui encontrar mais erros e situações que aparentemente nunca se sucederam como no filme nos leva a crer. O ponto para mim mais alto foi mesmo a riqueza do filme em história de arte, conhecem-se várias igrejas, esculturas, praças, etc. Fiquei ainda mais interessada em visitar Roma. Tornou-se mesmo o meu destino preferido a visitar.

 

Claro que o filme é um romance, mas se um romance se enquadra numa situação histórica, os factos devem ser revelados sem erros temporais ou invenções. Caso contrário, todo o filme se perde e passa a ser algo a esquecer.

 

Mas, mesmo assim, ainda tenho curiosidade em conhecer os livros de Dan Brown. Costumo ler as obras antes de estas serem adaptadas ao cinema e a obra é sempre mais rica, cheia de pormenores enquanto que na adaptação se perdem e, muitas vezes, resulta em interpretações que podem ser bastante diferentes.

 

Como ignorante sobre este escritor fui procurar o site oficial das suas obras (e está aqui) com a lista dos seus romances: The DaVinci Code, Angels & Demons, Digital Fortress, Deception Point e The Lost Symbol, que será publicado em Setembro deste ano.

 

Quanto à próxima adaptação a filme, dificilmente a irei ver.

Sensibilidade e Bom Senso // He's just not that into you

Sara, 17.05.09

Sensibilidade e Bom Senso é o primeiro livro de Jane Austen, foi publicado em 1811 e é também o primeiro romance que li desta escritora. Desde que vi o filme “The Jane Austen Book Club” fiquei com imensa vontade de ler todos os romances de que falam no filme, voltando depois a vê-lo, pois o filme fala de muitas personagens dos seus livros e acho que só os conhendo bem é possível apreciar de forma completa o filme. No entanto, adorei o filme mesmo não conhecendo as obras e fiquei também com uma vontade enorme de encontrar ou criar um grupo de leitura!

 

Comecei então pela Sensibilidade e Bom Senso que consiste num retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII. O romance “conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor. Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.”

 

Apesar do romance se passar há uns séculos atrás, é interessante ver como as alegrias e tristezas ligadas a novos amores, amores apaixonados e desilusões amorosas se mantém tão iguais na forma de os sentir. Tudo se passa em torno de duas famílias principais e alguns amigos próximos destas, conhece-se a forma como as pessoas se tratavam no seio familiar, entre amigos e entre namorados e como se entretinham nesta altura em que a presença hipnotizante da televisão não existia. Todas as histórias de amor que ocorrem no romance são muito envolventes e cheguei a torcer por uma relação, a desprezar uma prima que rouba um namorado e a odiar um rapaz por se envolver apenas por prazer sem tomar consciência da tristeza que iria causar com o seu comportamento.

 

A meio do romance, a meio de todas as tramas, encontros e desencontros, lembrei-me de um filme que tinha ido ver ao cinema com amigos, o “He’s just not that into you”, uma comédia romântica bem actual sobre vários envolvimentos amorosos e como as mulheres tentam sempre encontrar justificações para o comportamento dos homens. Mais uma vez, apesar de tantos séculos distanciarem as histórias, encontram-se bastante semelhanças. No romance de Austen também as mulheres enamoradas tentam sempre justificar comportamentos erráticos dos seus namoradas ou pretendentes, desculpando-os frequentemente e nunca acertando.

 

Adorei as ligações inesperadas que ocorrem no romance e os sentimentos tão bem descritos sobre as personagens por parte da escritora. O único contra que encontrei foi mesmo o tamanho da letra. Li a publicação de bolso da Europa-América e por várias vezes pensei comprar uma lupa, dado que quando estava mais cansada saltava linhas ou começava a ver as letras distorcidas de tão pequenas que são.

 

Resumidamente, mais uma obra que adorei e mais uma escritora que vou querer conhecer muito melhor!

O Décimo Terceiro Conto

Sara, 15.05.09

O Décimo Terceiro Conto é o primeiro romance de Diane Setterfield, especialista em literatura francesa dos séculos XIX e XX. Tornou-se logo um bestseller e inclui-se nas Grandes Narrativas da Editorial Presença.

 

“Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, intrigando-os com histórias fantasiosas que mantiveram oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Leo, filha de um negociante de livros antigos e biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente? À medida que somos seduzidos pelo imaginário rico e intenso que rodeia a família Angelfield e que Vida Winter tece perante nós com a magia de uma verdadeira contadora de histórias, o passado invade o presente e temas como o isolamento, o abandono e a identidade emergem das sombras para dotar o derradeiro conto de um carácter apaixonante. Um romance assombroso, impregnado de ecos de A Paixão de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais.”

 

Achei a escrita da Diane Setterfield muito envolvente e toda a história é repleta de mistério. Uma colher de prata com um A gravado, uma escada partida, um fantasma que canta de noite, pistas que explicam o grande enigma deste romance que não podem perder!

Todas as personagens principais são bastante trabalhadas e emocionalmente complexas. tal como eu gosto!

Fiquei também com curiosidade para ler todas as obras que são referidas neste conto.

E aguardo ansiosamente o próximo romance desta escritora!

 

 

A quem já leu, deixem as vossas impressões!