Domingo, 8 de Novembro de 2009

Noite

“Este testemunho, que surge depois de tantos outros e que descreve uma abominação da qual poderíamos nós pensar já nada nos é desconhecido, é, no entanto, diferente, singular, único…

A criança que aqui nos conta a história era um dos eleitos de Deus.
A partir do momento em que a sua consciência despertara, ela só vivia para Deus, alimentada pelo Talmude, ambicionando ser iniciada na Cabala, devotada ao Eterno. Será que anteriormente já alguma vez tínhamos pensado nesta consequência de um horror menos visível, menos evidente que outra abominações, mas que, no entanto, é a pior de todas, para nós que temos fé: a morte de Deus na alma daquela criança que descobre, de uma assentada, o mal absoluto?”
 
Ler esta obra foi um verdadeiro desafio pessoal. Elie Wiesel leva-nos, pessoalmente, até aos campos de concentração. Começa por ser despejado de casa com a sua família, acompanhado por todo o bairro e empilhado, tal como de sacos de batata se tratassem, nos vagões do comboio que os levam para o primeiro campo de concentração, Auschwitz - Birkenau. Pelos olhos de Elie, à chegada, visualizamos as chamas a saírem das chaminés dos crematórios, sentimos o cheiro a carne humana queimada… Pouco depois, assistimos à descarga de bebés num buraco e às chamas a consumi-los.
 
Com o testemunho de que os bebés eram lançados ao ar para mira de metralhadoras, fechei o livro e não peguei nele por uns dias. Pensei que não era capaz de continuar a leitura, não era capaz de criar uma barreira emocional a toda a crueldade que nos vai abruptamente assolando, muito menos ainda quando se tratam de bebés.
 
Ao longo da leitura, vamos reflectindo sobra a questão intemporal, colocado por Elie, quando tinha ainda 15 anos: Que Deus é este que assiste a toda esta crueldade sem nada fazer?
 
Vamos assistindo à perda de fé, de esperança, a um desespero crescente, a um “salve-se quem puder” mesmo que a pessoa ao nosso lado seja o nosso pai ou mãe. E nós próprios, no meio de tanta desgraça, vamos ganhando uma insensibilidade relativamente aos acontecimentos não tão horrorosos que vão ocorrendo mas que nos revoltaria em qualquer outro momento.
 
 
sinto-me: Chocada? Desolada? Frustrada?
publicado por Sara às 11:22

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De José Liceia a 18 de Janeiro de 2010 às 22:15
Olá...
Li o enxerto, e integra-se nos livros que tenho lido ultimamente. Pessoalmente acho um insulto a todas as pessoas que morreram durante a 2º Guerra Mundial, algumas pessoas recusarem-se a ler este tipo de livros, ou a aceitar os factos.
Só queria pedir uma informação, Nome, autor e editora do livro sff..

Aproveito para deixar o meu blog, como pedido.   palavrasamadoras.blogspot.com
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