Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

O Meu Pé de Laranja Lima

“O leitor vai encontrar a história comovente do menino Zezé, de seis anos, um rapaz pobre, inteligente, sensível e carente. Com a falta de afecto que não encontra na família, o endiabrado rapaz vai pelas ruas fazendo mil travessuras.

Zezé aprende tudo sozinho, é o “descobridor das coisas”. Descobre a ternura e o carinho no amigo “Portuga”. Inventa para si um mundo de fantasias em que o grande confidente é o Xururuca, o pé de Laranja Lima. Mas a vida ensina-lhe tudo demasiado cedo, e Zezé descobre o que é a dor e a saudade – “Por que contam coisas às criancinhas?”.”
 
José Mauro de Vasconcelos conta-nos uma história muito bonita e comovente sobre um menino de cinco anos, pobre e de grande coração, Zezé, que apesar de pertencer a uma família muito numerosa se sente sempre muito sozinho. A família de Zezé passa por maiores dificuldades quando o seu pai é despedido da Fábrica. Quando chega o Natal toda a situação se torna ainda mais real quando nenhuma das crianças recebe uma prenda e Zezé interioriza que isso só pode ter acontecido por ser um mau menino ou por o Menino Jesus não gostar de pobres já que um amigo dele, de famílias ricas, recebeu imensas prendas pelo Natal.
Zezé não é uma criança qualquer, é extremamente inteligente, gosta de aprender palavras difíceis e até aprendeu a ler sozinho. Mas também tem algumas características comuns à sua idade, ele gosta de pregar partidas, é um traquina mas sem qualquer maldade no coração. No entanto, em casa não lhe perdoam estas brincadeiras e acaba por ser castigado, até mesmo várias vezes ao dia, tornando o seu corpo testemunha de toda as sovas que apanhou.
 
Zezé faz de um pé de laranja lima o seu amigo, companheiro de brincadeiras e contentor de angústias. Mais tarde, encontra em Manuel Valadares, um velho português, ternura e amor como nunca recebeu em casa. Infelizmente é também com o seu novo amigo que Zezé conhece a maior infelicidade e se apercebe que a maior dor não é aquela que dói no corpo mas sim no coração.
 
A obra é de leitura muito simples mas de tema profundo. Se a pobreza já é por si uma situação muito triste, apresentada por uma criança ainda nos toca mais o coração…
 
Nota: Esta obra tem continuação em “Vamos Aquecer o Sol”, do mesmo autor, onde Zezé já é um pré-adolescente e mora agora com a família do seu padrinho. A sua imaginação continua a criar amigos que lhe fazem companhia, desta vez um sapo e um artista serão os seus companheiros.
 
 
sinto-me: com a lágrima no canto do olho
quero conhecer: "Vamos Aquecer o Sol"
publicado por Sara às 11:31

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1 comentário:
De Ricardo de Moraes e Soares a 19 de Agosto de 2009 às 18:10
Este livro é um óptimo exemplo de como a bondade de uma criança é transversal a qualquer estatuto social. De uma criança traquina e meio reguila, a uma criança inteligente, cheia de carinho para dar e vender e super curiosa de todos os pequenos pormenores da vida social em seu redor. A sua ingenuidade é tão grande mas ao mesmo tempo inocente e bela, que, este mesmo menino de apenas 5 aninhos culpa a sua traquinice como factor do seu desgosto de não ter recebido uma prenda de natal. Com uma enorme falta da presença da sua família (fora de um irmão mais novo e de uma irmã), este procura em amigos imaginários o seu consolo, o seu amparo, até conhecer o sentido da palavra carinho através de um velho desconhecido, que acaba por ser mais seu pai do que o seu próprio pai.
Todo o seu mundo gira à volta da sua enorme pobreza, uma pobreza não só material mas também educacional, visto que, a única maneira que sabiam educar era através de uma violência de cortar a respiração. Violência esta que o deixou cheio de cicatrizes corporais como afectivas, tudo isto porque talvez não soubessem de uma outra forma de o educar sem ser esta.
É um livro, mas a realidade do nosso mundo também mostra que este tipo de situação ainda acontece frequentemente, famílias pobres em que existem vários filhos e todos eles são educados pela força de um cinto ou dureza de um cabo de vassoura. Em que os filhos são considerados um fardo, uma boca a mais para alimentar e que são obrigados aprender a vida muito cedo. Engane-se aqueles que pensam que este tipo de situação é do século passado, pois não é, e está bem ao nosso lado, basta ver...

Que o menino Jesus nunca deixe de dar uma prenda por mais pequena que seja, a todos os meninos pobres, que tanto precisam.

Como o menino de 5 anos diria: "devemos dividir a nossa pobreza com aqueles que ainda são mais pobres que nós".

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