Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

As Sete Mulheres do Barba-Azul

“Neste conto, Anatole France toma nas suas mãos a tarefa de desmistificar todos os equívocos à volta da figura de Barba-Azul, personagem celebrizada pela história que Charles Perrault publicou em 1698.

Com este texto, passamos a conhecer a existência de Barba-Azul e das suas sete esposas, que na sua maioria, uma após outra, vão desaparecendo da sua vida, em circunstâncias bastante bizarras e inverosímeis. Tais acontecimentos tornam-no suspeito e culpado aos olhos dos outros mas, através de fontes fidedignas, vem-se a constatar que o monstro é na verdade uma vítima de todas as suas mulheres, vindo mesmo a sucumbir às mãos da sétima.”
 
Li, hoje, esta obra de Anatole France, galardoado com o Prémio Nobel em 1921, de uma ponta à outra, de forma compulsiva, no espaço de uns quarenta minutos. Conta-se a história de Bernard de Montrageux, conhecido por Barba-Azul, baseada em documentos autênticos, ao longo de cinco pequenos capítulos.
No primeiro capítulo, Anatole France mostra como este homem foi denegrido por, por exemplo, Charles Perrault que o apresentou, num famoso conto infantil, como uma personagem da maior crueldade existente. Nos capítulos restantes, conta a história do envolvimento de Barba-Azul com cada das suas sete mulheres, por ordem cronológica. O fim de cada relação acaba de forma tão incrédula que nos leva a pensar se é possível um homem, ao longo de toda a sua vida, ter tanto azar. Isto porque Barba-Azul é-nos apresentado como alguém bastante tímido e de bom coração e que foi enganado por todas as mulheres com que se casou pela sua enorme fortuna que todas elas ambicionavam ter.
Neste pequeno conto, existe uma divisão do seu castelo, de estilo gótico e todo decorado à italiana, que funciona como prenúncio da desgraça que está iminente de ocorrer e cuja chave se acredita estar amaldiçoada. Esta divisão é conhecida por “Gabinete das Princesas Desafortunadas” devido às pinturas de um artista de Florença, que representam trágicas histórias de várias mulheres, que cobrem as paredes. A primeira esposa de Barba-Azul desaparece nesta divisão e a partir daí, sempre que uma das suas esposas lá entra, estamos perante um trágico presságio de morte.
 
Fica aqui uma sugestão de uma obra de fácil e engraçada leitura, com uma alusão ao fantástico por meio da chave do pequeno gabinete do Castelo das Guillettes. Um conto que apresenta a personagem dos contos de fadas como um homem sofrido e bem real.
 
 
publicado por Sara às 13:22

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1 comentário:
De Diniz Sanchez a 14 de Abril de 2010 às 20:59
Muito obrigado. interessante comentário e que me dá vontade de lêr o livro... sobretudo por estara trabalhar sobre esse tema (as mulheres de Barba-Azul).

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