Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

A Criança Que Não Queria Falar

“Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história que, para lá da inspiração que poderá oferecer a todos os educadores que se ocupem de crianças com problemas, transcende o âmbito de um mero <<caso>>, mostrando-nos que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inabordável. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, que costuma ficar com as crianças que desafiam qualquer classificação e por isso não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação tocante, que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança tão solitária poder desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria.”

 
A turma que nos é apresentada é composta, inicialmente, por oito alunos: Peter de oito anos (com atraso mental e comportamento violento) Tyler de oito anos (tentou suicidar-se duas vezes), Max de seis anos (autista), Freddie de sete anos (obeso e com atraso mental), Sarah de sete anos (vítima de abuso físico e sexual), Susannah de seis anos (esquizofrénica), William de nove anos (compulsivo-obsessivo) e Guillermo de nove anos (cego com comportamento agressivo). Mais tarde, juntou-se à turma a Sheila, expulsa da antiga escola e condenada ao hospital psiquiátrico pelo tribunal por ter atado a uma árvore uma criança de três anos e ter-lhe pegado fogo. Sheila permaneceria na turma enquanto não houvesse vaga no hospital.
 
Qualquer estabilidade atingida num dia de aula era instável, isto é, bastava um incidente banal para que o caos regressasse à sala de aula. E, com a chegada de Sheila à turma, foi algo que começou a acontecer muito frequentemente.
Um dos acontecimentos que mais me chocou, na escola, foi quando, à hora do almoço, num acesso de ira, Sheila retirou vários peixes de um aquário, um a um, espetou-lhes um lápis nos olhos, esvaziando as órbitas e deitando depois os peixes ao chão que foram, posteriormente, várias vezes pisados e esmagados no caos que, entretanto, se criou entre as crianças e funcionários que assistiam ao cenário aterrador.
 
Adorei esta leitura, provocou-me várias vezes o riso e algumas vezes uma lágrima que permanecia no canto do olho. As crianças, já por si, fascinam-me sempre pela forma como se expressam, de uma forma tão simples mas que, ao mesmo tempo, contém as palavras certas, que muitas vezes me faltam. Ao longo do livro existem várias referências a “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry, a história preferida de Sheila, a qual pedia várias vezes à professora que lhe lesse em voz alta. A razão pela qual tinha esta preferência, não vou revelar!
 
É uma leitura diferente mas acho que vale bem a pena. No fundo fala de coisas pelas quais, mais tarde ou mais cedo, todos nós passamos como a importância das amizades, a confiança que depositamos nas pessoas, a ansiedade, o medo, a desilusão.
E é preciso algum sangue frio numa parte da leitura - não vou desvendar o que acontece – onde alguém sofre um crime bastante violento – lembrem-se que a história é, ainda por cima, verídica - esvai-se em sangue e é levado de emergência para o hospital, onde é sujeito a cirurgia. Para além da situação ser monstruosa, são dados alguns detalhes do sucedido.
 
Esta história verídica tem continuação na obra “A menina que nunca chorava”.
sinto-me: com o coração nas mãos
publicado por Sara às 21:34

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2 comentários:
De Greenie a 30 de Junho de 2009 às 03:21
Já li os dois e gostei muito. São livros que nos tocam imenso, principalmente por sabermos que é uma história verídica. E que por esse mundo fora devem existir bastantes histórias semelhantes, infelizmente.
De Sara a 30 de Junho de 2009 às 13:07
Eu também quero ler o segundo mas vou ter de fazer uma pausa entre ambos porque sou bastante sensível a este tipo de situações..

Obrigada pelo teu comentário!

Beijinhos,
Be.

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